PSOL protocola sexta representação contra Renan

O PSOL protocolou hoje na Mesa do Senado a sexta representação contra o presidente licenciado da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), por quebra de decoro parlamentar. Na denúncia, Renan é acusado de ter usado o cargo para praticar crimes de exploração de prestígio, tráfico de influência, intermediação de interesses privados, corrupção ativa e passiva e formação de quadrilha. "Infelizmente esta fixação do senador de praticar crime contra a administração pública nos obriga a entrar com outra representação", justificou a presidente do partido, ex-senadora Heloisa Helena (AL), referindo-se ao fato de ele ter repassado R$ 280 mil a uma empresa fantasma de um ex-assessor. Segundo revelou o jornal O Estado de S. Paulo no domingo passado, a empresa KSI Consultoria e Construção Ltda. recebeu o dinheiro para construir 28 casas em Murici, cidade da família Calheiros, pelo programa de combate à doença de chagas. O convênio assinado entre a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e a prefeitura de Murici se sustentava em recursos decorrentes de uma emenda de Renan ao Orçamento Geral da União de 2004. A empresa criada em 2001 pelo ex-assessor de Renan José Albino Gonçalves de Freitas, na prática, não saiu do papel. A reportagem apurou que, ainda assim, a KSI foi beneficiada com contratos em outras prefeituras no interior de Alagoas. "A matéria mostra a triangulação perfeita na articulação do Executivo, Legislativo e setor empresarial para pagar propina com dinheiro público, patrocinando crimes contra a administração pública", constatou a ex-senadora, após protocolar a representação na secretaria-geral da Mesa na companhia dos três deputados do partido: Chico Alencar (RJ), Luciana Genro (RS) e Ivan Valente (SP). A nova denúncia foi apresentada três dias após a Mesa Diretora da Casa ter encaminhado ao Conselho de Ética a quinta denúncia contra Renan: a de que ele teria usado um assessor da presidência, Francisco Escórcio, para espionar a vida de dois senadores da oposição - Demóstenes Torres (DEM) e Marconi Perillo (PSDB) - ambos de Goiás. O presidente do colegiado, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), ainda não indicou relator para esta representação.

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