PSOL protocola representação contra Sarney e Renan

Pedido deve ser encaminhado ao Conselho de Ética, mas órgão está desativado desde maio por falta de membros

Denise Madueño, de O Estado de S. Paulo,

30 de junho de 2009 | 12h41

O PSOL protocolou no início da tarde desta terça-feira, 30, na Mesa do Senado, representação contra o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP) e o ex-presidente, Renan Calheiros (PMDB-AL), para que sejam apuradas as denúncias de irregularidades no Senado. "Entramos com representação contra dois presidentes do Senado, cujos atos secretos estão em suspeição relevante", afirmou a presidente do partido e ex-senadora, Heloísa Helena. Ela protocolou as representações, acompanhada do senador do PSOL, José Nery (PA), e dos três deputados do partido, Chico Alencar (RJ), Ivan Valente (SP) e Luciana Genro (RS).

 

O partido responsabiliza os dois senadores pelos 663 atos secretos utilizados nos últimos 14 anos no Senado, normalmente, na adoção de procedimentos questionáveis, como a nomeação de parentes, em muitas vezes, fantasmas, aumentos de salários e criação de cargos.

 

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"Só precisa de ato secreto quem privilegia o banditismo do submundo", afirmou Heloisa Helena. Ao contrário do que havia anunciado na semana passada, o PSOL não entregou representação contra o ex-presidente da Casa, Garibaldi Alves (PMDB-RN). O deputado Chico Alencar afirmou que Garibaldi enviou uma carta a toda a bancada e à Executiva do partido, com explicações, afirmando que se algum ato secreto atingiu o período de sua presidência, foi à revelia de seu conhecimento. "Ele teve um gesto de esclarecimento", afirmou Chico Alencar.

 

Como se trata de uma representação de um partido político, a Mesa Diretora tem que encaminhar o pedido ao Conselho de Ética. No entanto, desde maio, quando terminou o mandato dos integrantes do colegiado, o conselho está desativado. O PMDB e o PSDB ainda não fizeram as indicações de seus representantes para o conselho. Na representação, o PSOL argumenta que os atos secretos criaram cargos, concederam benefícios, aumentaram a remuneração e beneficiaram Calheiros e Sarney.

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