PSOL faz protesto contra voto secreto no caso Renan

Aliados do presidente do Senado acreditam que, com o voto secreto, ele terá mais chances; oposição protesta

ANA PAULA SCINOCCA, Agencia Estado

30 de agosto de 2007 | 10h36

Parlamentares do PSOL fizeram na manhã desta quinta-feira, 30, um ato de protesto, no Senado, contra a proposta de se fazer por voto secreto o julgamento do primeiro processo aberto no Conselho de Ética do Senado contra o presidente da Casa, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), acusado de pagar contas pessoais com dinheiro do lobista de uma empreiteira.   Veja também: No Conselho de Ética, PSDB pede voto aberto no caso Renan Em última manobra, Renan tenta voto secreto no Conselho   Enquete: Você acredita que Renan será cassado?  Cronologia do caso Renan     Denúncias contra Renan abrem três frentes de investigação  Veja especial sobre o caso Renan    O líder do PSOL na Câmara, deputado Chico Alencar (RJ), e o senador do partido José Nery (PA) exibiam faixas e cartazes em defesa do voto aberto. Uma das faixas diz: "Fim do voto secreto. Quero saber como meu representante vota". Outros parlamentares do partido, como os deputados Luciana Genro (RS) e Ivan Valente (SP), mostravam cartazes vermelhos com a inscrição "Voto aberto já".   A reunião para traçar o destino de Renan estava marcada para as 10 horas, mas começou por volta das 11h. A polêmica em torno da abertura ou não dos votos deve gerar uma guerra regimental no Conselho. De um lado, os aliados de Renan querem que o voto seja secreto. Acham que, com o anonimato, o senador teria mais chances. Mas, a oposição está disposta a brigar e ameaça não apresentar o relatório se o voto for fechado. Os defensores do voto aberto têm maioria no Conselho e podem ganhar se a polêmica for a voto.   Diante da tentativa dos aliados e do próprio presidente do órgão, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), dois dos três relatores do processo, os senadores Marisa Serrano (PSDB-MS) e Renato Casagrande (PSB-ES), fecharam acordo de que só revelam seu parecer conjunto se a votação for aberta.   Se vencida a polêmica do voto aberto versus voto fechado, dois pareceres sobre o processo contra Renan devem ser apresentados. Um, elaborado em conjunto por Casagrande e Marisa, deve recomendar a cassação de Renan. O outro é do terceiro relator, Almeida Lima (PMDB-SE). Aliado de Renan, ele já avisou que apresentará parecer pela absolvição do presidente do Senado. Se confirmado esse cenário, apenas o relatório conjunto deverá ser apreciado. O parecer de Almeida Lima deverá ser voto em separado, por se tratar de voto vencido.   Caso a definição seja pelo voto fechado, Marisa e Casagrande já avisaram que vão precisar de mais tempo para elaborar outro parecer, adiando mais uma vez a conclusão do caso.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.