Dida Sampaio/AE - 11/08/2011
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PSOL está 'com as barbas de molho' em relação à CPI do Cachoeira

Deputado Chico Alencar, líder do partido na Câmara, disse que o requerimento foi 'desidratado'

Bruno Lupion, do estadão.com.br,

12 de abril de 2012 | 19h29

SÃO PAULO - O deputado Chico Alencar, líder do PSOL na Câmara dos Deputados, afirmou nesta quinta-feira, 12, que o partido está "com as barbas de molho" em relação à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) proposta para investigar as ligações de Carlinhos Cachoeira com parlamentares da Câmara e do Congresso.

Em entrevista ao estadão.com.br, Alencar disse que o texto do requerimento da CPI apresentado nesta quinta pelo presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), "foi desidratado e está muito genérico" ao propor investigar as práticas criminosas mencionadas nas operações Monte Carlo e Vegas da Polícia Federal. "Isso pode ser tudo ou pode não ser nada", resumiu.

Alencar defende que o texto explicite quais agentes públicos, empresas, partidos políticos e contratos serão investigados, para obrigar os parlamentares a enfrentar essas questões. "Do jeito que está, na hora da CPI, vão começar a dizer que a investigação está fugindo do objeto", prevê.

O deputado também não enxerga com bons olhos a decisão de restringir o tamanho da CPI a 15 deputados e 15 senadores, como proposto por Maia. "Devíamos ter pelo menos 17 parlamentares de cada Casa, pois o ano é curto, há muitas ramificações a serem investigadas e precisamos evitar o controle da CPI pelas grandes forças políticas, todas envolvidas de alguma maneira com os esquemas de Cachoeira", disse. Caso o atual formato da CPI seja aprovado, o deputado acredita que o único parlamentar do PSOL com chances de participar será o senador Randolfe Rodrigues, do Amapá.

Falta de palavra. O PSOL, autor da representação no Conselho de Ética do Senado que pede a cassação do mandato do senador Demóstenes Torres, reclamou de uma suposta falta de palavra de Maia, que teria prometido submeter o texto do requerimento da CPI do Cachoeira às lideranças partidárias. "Fomos ignorados, talvez para não trazer incômodos à cúpula partidária dominante", afirmou o partido em nota à imprensa. Segundo o PSOL, a CPI corre o risco de se tornar "uma farsa, com integrantes orientados para proteger seus correligionários acusados de vínculos com o esquema" e transformar-se em um "empate entre 'cachoeirentos' e 'mensaleiros'".

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