PSOL entra com nova representação contra Renan

Partido pede ao Conselho de Ética apuração sobre compra de fábrica

Rosa Costa, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2002 | 00h00

O PSOL pediu ontem ao Conselho de Ética do Senado que investigue a denúncia de que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), teria favorecido a Schincariol depois que a empresa comprou por R$ 27 milhões uma fábrica de refrigerante do irmão dele, o deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL).Nesta nova representação contra o presidente do Senado, o partido lembra que a aquisição da fábrica que estava prestes a fechar as portas - segundo reportagem da revista Veja - coincidiu com visitas que Renan teria feito à cúpula do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e à Receita Federal para tratar de problemas de sonegação da cervejaria. Pelo mesmo motivo, o PSOL deu entrada na Câmara à representação contra Olavo e contra o deputado Paulo Magalhães (DEM-BA), este pela suspeita de favorecer a empreiteira Gautama em processos relacionados à licitação.Em julho, quando surgiu a suspeita envolvendo a família Calheiros e a cervejaria, o PSOL tentou incluir o novo caso no processo por quebra de decoro que já corre contra o senador no Conselho de Ética, mas não teve sucesso. O pedido foi negado pelos relatores por ser ''''estranho ao processo'''', o que atrasaria a apuração. A nova denúncia só poderia ser investigada com nova representação - como fez o PSOL ontem.Em nota, Renan afirma que se sente impedido de tratar da representação, após ter entregue ao primeiro vice-presidente da Casa, Tião Viana (PT-AC), a competência de cuidar de matérias de que é alvo. Mas acrescenta: ''''A representação ora encaminhada à Mesas Diretoras mostra, uma vez mais, o caráter eleitoral deste episódio como disputa política de Alagoas.''''A presidente do PSOL, ex-senadora Heloisa Helena (AL), nega. ''''Estamos cumprindo a nossa obrigação, obrigação de todo pai e de toda mãe de ensinar aos filhos que eles não podem roubar.'''' Heloisa não quis se manifestar sobre o encaminhamento das denúncias. ''''Não podemos adivinhar o que vai acontecer no Congresso, mas esperamos que as Casas não se desmoralizem ainda mais, instalem as investigações e vão até o fim.'''' Tião Viana disse que convocará a Mesa para examinar a representação logo que a receber e que os senadores é que decidirão se o caso vai ao Conselho de Ética.DEFESAEm nota, a Schincariol rebateu informações de que teria se beneficiado por medidas patrocinadas pelos Calheiros. A empresa diz que a compra da fábrica faz parte de seu ''''plano de expansão acelerada'''' no Nordeste e que, dos R$ 27 milhões, foram deduzidas dívidas da empresa e do proprietário. ''''O valor total desembolsado foi de R$ 17,7 milhões, sendo 20% na data da assinatura do contrato, 72% em 36 parcelas e os restantes 8% 30 dias após o final dessas parcelas.''''

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