PSOL entra com a 4ª representação contra Renan no Conselho de Ética

Acusação é de que presidente do Senado participaria de coleta de propina nos ministérios comandados pelo PMDB

Rosa Costa E Ana Paula Scinocca, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2007 | 00h00

Um dia depois de o Conselho de Ética recomendar a cassação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o PSOL protocolou ontem mais uma representação contra ele na Mesa Diretora da Casa. É o terceiro requerimento apresentado pelo partido contra Renan, que agora acumula contra si quatro pedidos de investigação por supostas irregularidades.A mais nova representação refere-se à suspeita de que o presidente do Senado e outros peemedebistas participariam de um esquema de coleta de propina nos ministérios comandados pelo partido. Coube à presidente do PSOL, ex-senadora Heloísa Helena (AL), entregar a denúncia à secretária-geral do Senado, Claudia Lyra. Heloísa rebateu a afirmação do presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), de que a iniciativa de representar contra o presidente do Senado está "banalizada". "O que está banalizada é a roubalheira dos parlamentares que acham que os cofres públicos existem para servi-los", respondeu a ex-senadora. "É por isso que o PSOL se sente na obrigação de pedir a investigação de um caso como esse. Nós não roubamos nem deixamos roubar e não aceitamos gangues partidárias ou políticas."ACUSAÇÕESAlém da nova representação, Renan é acusado de usar o dinheiro de Cláudio Gontijo, lobista da empreiteira Mendes Júnior, para pagar pensão e aluguel de Mônica Veloso, com quem tem uma filha fora do casamento - denúncia que foi acolhida na quarta-feira pelo Conselho de Ética, por 11 votos a 4, e pela qual ele vai a julgamento no plenário do Senado na próxima semana. Outro processo no Conselho de Ética é o que apura se ele favoreceu a cervejaria Schincariol perante a Secretaria da Receita Federal e o INSS. Há ainda a denúncia do usineiro João Lyra, segundo a qual o senador comprou em sociedade com ele, em nome de laranjas, duas emissoras de rádios e um jornal.Na nova representação contra Renan, o PSOL pede que sejam ouvidos o advogado Bruno de Miranda Ribeiro Lins, seu sogro Luiz Carlos Garcia Coelho, o presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Marco Antonio de Oliveira, e o deputado Carlos Bezerra (PMDB-MT). Pede ainda que seja solicitada à Polícia Federal, que assumiu a investigação da denúncia, cópia de documentos e de depoimentos relacionados ao caso.O corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), prometeu para a próxima semana ouvir no Senado Lins e o sogro. Ontem o advogado depôs ontem na Polícia Federal. "Resolvi esperar o depoimento do Bruno à PF primeiro para convocá-lo na semana que vem", afirmou Tuma.Em depoimento à Polícia Civil, em 14 de setembro de 2006, ao delegado João Kleiber Esper, da cidade-satélite de São Sebastião, Lins disse ter testemunhado um gigantesco esquema de coleta de recursos desviados do governo federal para políticos do PMDB, do qual participaria o presidente do Senado. Ele alegou na época estar sofrendo ameaças de morte do sogro, que seria operador financeiro de Renan.

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