PSOL e PV pedem pede impeachment da governadora do RS

Para o PSOL, motivo principal foi Yeda não ter negado afirmações do ex-chefe da Casa Civil sobre esquema

Elder Ogliari , de O Estado de S. Paulo, e Agência Brasil, Agência Brasil

10 de junho de 2008 | 19h28

O PSOL e o PV, que não têm deputados eleitos no parlamento gaúcho, protocolaram nesta terça-feira, 10, o pedido de impeachment da governadora Yeda Crusius (PSDB) na Assembléia Legislativa do Estado. A peça jurídica acusa Yeda de improbidade administrativa. Para a deputada federal Luciana Genro (PSOL), gravações divulgadas na semana passada mostram que a governadora tinha conhecimento da existência de irregularidades em órgãos públicos. "A governadora veio a público exclusivamente para condenar o seu vice-governador, que revelou as gravações, mas em nenhum momento ela chegou a afirmar que o seu chefe da Casa Civil estaria mentindo quando afirmou que os partidos se financiam dentro das estatais do governo do Estado", disse.   Veja também: TCE do RS vai investigar presidente por fraude no Detran Gravação de conversa abre crise no governo Yeda, no RS Deputados do PT pedem saída de governadora do RS PP e PMDB rompem com chefe da Casa Civil do RS    Numa das gravações, dois acusados pela fraude de R$ 44 milhões do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) discutiam uma maneira de abordar a governadora para saber se poderiam tomar instruções do então diretor da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) Delson Martini para resolver um impasse entre empresas que se beneficiavam dos desvios. Na outra, o chefe da Casa Civil, Cézar Busatto, dizia ao vice-governador, Paulo Afonso Feijó (DEM), que órgãos público como o Detran, a CEEE, o Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) e o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) financiaram partidos políticos.   A crise no governo do Rio Grande do Sul iniciou no final do ano passado, com a Operação Rodin da Polícia Federal, que desmembrou um esquema de desvios de recursos no Departamento Estadual de Trânsito (Detran). Para o líder do governo na Assembléia Legislativa, deputado Márcio Biolchi (PMDB), não há elementos suficientes para o impeachment da governadora. "Não existe nenhum fundamento que possa levar ao impedimento de um nome que foi escolhido de forma democrática pelas urnas aqui no Rio Grandeo do Sul", disse. Segundo ele, o governo está tomando todas as providências para avaliar possíveis irregularidades. "   As conversas interceptadas revelaram o envolvimento de membros do governo estadual. Na última semana, a situação se agravou quando o vice-governador, Paulo Feijó, divulgou na Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga o Detran a gravação de uma conversa na qual o então chefe da Casa Civil, Cézar Busatto, admite que órgãos da administração do estado financiam partidos políticos. Para tentar resolver a crise, o governo do estado anunciou ontem (9) a criação de um gabinete de transição que irá promover mudanças na nominata do governo. O grupo será formado por representantes dos partidos políticos que compõem o governo (PSDB, PMDB, PP, PPS e PTB) e terá o objetivo de reestruturar a administração pública.   O gabinete de transição vai elaborar uma carta de compromisso do governo com os gaúchos, garantindo a continuidade da prestação dos serviços públicos com qualidade. Ao anunciar as mudanças, Yeda Crusius disse que vai pedir ao Ministério Publico Estadual prioridade absoluta para a análise das denúncias relacionada aos órgãos da administração do estado. Em seu pronunciamento em cadeia de rádio e televisão, no último sábado, Yeda afirmou que as mudanças propostas pelo seu governo afetam antigos interesses. "Garanto que o desenvolvimento do nosso estado não será interrompido por ataques desleais que tentam desqualificar o trabalho responsável que fazemos", disse. O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse hoje (10) que a situação no estado não é caso para intervenção federal, pois as instituições estão funcionando normalmente. "Não há nenhum tipo de violação constitucional, tudo está funcionando de maneira adequada", afirmou.   Força-tarefaUma força-tarefa criada pelo Ministério Público Estadual (MPE) do Estado para acelerar a investigação de irregularidades nos órgãos públicos gaúchos se reúne nesta quarta para iniciar os trabalhos. Os 13 promotores designados para integrar a equipe receberão a incumbência de trocar informações sobre expedientes e inquéritos civis já instaurados e trabalhar em conjunto para dar uma resposta rápida à sociedade e ao pedido que receberam da governadora."Há investigações de desvios de verbas, malversação de recursos e uso indevido do patrimônio público em órgãos como o Detran, o Daer, a CEEE e o Banrisul", diz o subprocurador geral de Justiça, Eduardo de Lima Veiga. "Os promotores que cuidavam dos casos isoladamente vão concentrar suas atividades nesse grupo." var keywords = "";   Texto ampliado às 20h43

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