PSOL desiste de processar prefeito eleito em Macapá

Numa votação apertada, a Executiva Nacional do PSOL decidiu nesta quinta-feira não levar para o Conselho de Ética do partido o prefeito eleito de Macapá, Clésio Luís, e Edmilson Rodrigues, candidato derrotado à prefeitura de Belém. Clésio se elegeu prefeito com o apoio do DEM e de parte do PSDB do Amapá. No segundo turno, Edmilson teve como cabos eleitorais o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente Dilma Rousseff.

EUGÊNIA LOPES, Agência Estado

08 de novembro de 2012 | 20h26

"Não foram feitas alianças e sim adesões no segundo turno", argumentou o deputado Ivan Valente (SP), presidente nacional do PSOL. "Acredito que não vão transformar uma vitória numa derrota. Acredito no bom senso da Executiva do partido. O segundo turno é de recebimento de apoios e não de alianças", afirmou o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), principal aliado de Clésio Luís e que também foi duramente criticado por setores do partido por avalizar o apoio do DEM e do PSDB nas eleições de Macapá.

A Executiva do PSOL ficou dividida sobre que caminho adotar em relação a Clésio e Edmilson. Foram oito votos a favor da resolução que não prevê punições para os dois. Mas houve sete votos favoráveis à resolução que fazia duras críticas às alianças feitas pelos dois candidatos e levava ambos para o Conselho de Ética do partido.

Uma eventual repreensão aos dois não está, no entanto, totalmente descartada. O Diretório Nacional do PSOL se reúne nos dia 1º e 2 de dezembro, em São Paulo, quando será feito novamente um balanço do desempenho do partido nas eleições municipais. O Diretório tem 63 integrantes. "Possivelmente vamos analisar esses casos novamente", disse Valente.

Clésio Luís passou o dia de hoje reunido com a Executiva do PSOL dando explicações sobre a adesão do DEM e do PSDB a sua candidatura, no segundo turno das eleições. Clésio derrotou o atual prefeito de Macapá, Roberto Góes, do PDT, acusado de envolvimento com o crime organizado. "Ele (Clésio) se comprometeu a construir um secretariado comprometido com a ideologia do partido", afirmou Valente.

Para ele, o prefeito eleito e o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) erraram ao não fazer uma comunicação formal ao partido dos apoios que estavam sendo negociados no segundo turno das eleições em Macapá. "Eles erraram na forma", disse Valente. "Apesar das críticas internas, temos que comemorar o resultado."

A resolução aprovada nesta quinta pela maioria do partido é a de que o PSOL saiu vitorioso com a eleição de 49 vereadores - dos quais, 21 são de capitais_ e dois prefeitos _ foi eleito Gelsimar Gonzaga para prefeitura de Itaocara (RJ), além de Clésio. Além disso, o PSOL também está decidido a lançar candidatura própria em 2014 à sucessão da presidente Dilma Rousseff.

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