Tamara Sares / Futura Press
Tamara Sares / Futura Press

PSOL cola em Dilma em Belém

Edmilson Rodrigues tem apoio da presidente, de Lula e ministros; Aécio pede voto a tucano

Carlos Mendes, especial para o Estado

27 de outubro de 2012 | 20h29

BELÉM - A eleição para a prefeitura de Belém entre os candidatos Zenaldo Coutinho (PSDB) e Edmilson Rodrigues (PSOL) ganhou contornos de uma disputa federal na reta final do 2º turno. Ela registrou a participação no horário político da TV e do rádio de autoridades de peso ligadas ao PT, como a presidente da República, Dilma Rousseff, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que apoiam o candidato do PSOL. Lideranças nacionais do PSDB, como o senador Aécio Neves – virtual candidato à Presidência em 2014 – pediram voto para o tucano.

"Conheço a história do Edmilson Rodrigues e ele terá todo o meu apoio para fazer Belém avançar", sentenciou Dilma. "Chegou a hora de a capital do Pará ser governada pela competência e seriedade de Zenaldo Coutinho", enfatizou Aécio. O PT amargou a sétima colocação no 1º turno, mas agora entrou de cabeça na campanha de Rodrigues, que já pertenceu ao partido e hoje integra uma legenda de oposição ao governo federal. Isso, porém, não o impediu de receber apoio governista.

Além de Dilma e Lula, despontam ao lado do candidato do PSOL os ministros da Saúde, Alexandre Padilha, da Justiça, José Eduardo Cardozo, da Educação, Aloizio Mercadante, e da Cultura, Marta Suplicy. A eles se somam a ex-ministra do Meio Ambiente de Lula Marina Silva (PV) e o ex-ministro da Educação e senador pelo PDT, Cristóvão Buarque. Segundo Mercadante, o candidato "tem experiência administrativa" para fazer um bom governo. Padilha fala em liberar verbas, se Rodrigues for eleito, para resolver o caos na saúde em Belém. O governador do Estado, Simão Jatene, que carrega a candidatura de Coutinho, declara que o candidato tem "coragem e força" para vencer os desafios.

 

Ironias - Embora os dois lados falem em realizar um governo que restabeleça a paz em uma cidade que é apontada pelo IBGE como a segunda mais violenta do País e pela Unesco como a décima mais violenta do mundo, os ataques pessoais entre Coutinho e Rodrigues têm sido o ponto alto da campanha. Ao mesmo tempo em que se acusam e trocam ironias, faltam explicações convincentes aos eleitores sobre a origem dos recursos para tantas propostas por eles apresentadas.

Coutinho e Rodrigues carregam histórias distintas de vida – o primeiro é originário da classe média alta, enquanto o outro nasceu em um bairro pobre – e são divididos por um fosso ideológico. Rodrigues chama o tucano de "representante da elite reacionária e cria da ditadura militar", pelo fato de ele ter iniciado sua vida política como vereador pelo antigo PDS. Coutinho dá o troco, afirmando que o candidato do PSOL gosta de "brigas e agressões" e como administrador realizou "obras tímidas", referindo-se aos dois mandatos em que Rodrigues governou Belém, entre 1997 e 2004.

As pesquisas eleitorais, por outro lado, apimentam a discórdia no horário político. O Ibope colocou Coutinho na dianteira. Mas o alvo do candidato do PSOL é o Vox Populi, acusado de turbinar a campanha do tucano com "números manipulados" por um jornal de Belém, O Liberal.

A ausência de publicação na quinta-feira, pelo jornal, de uma pesquisa realizada entre os dias 19 e 24 serviu para alimentar os boatos. Um deles apontaria uma diferença de 4 pontos porcentuais em favor de Rodrigues. Até uma edição falsa do dia 25 da primeira página do jornal, exibindo os números, apareceu nas redes sociais. Em nota, a gerente de Negócios do Vox Populi, Marlene Marzinetti, afirmou que a pesquisa na data citada não havia sido concluído. Ela informou que o resultado será publicado na edição de hoje do jornal.

O setor jurídico das Organizações Rômulo Maiorana (ORM), responsável por O Liberal, contratante da pesquisa, informou já ter identificado os responsáveis pela fraude divulgada na internet, acrescentando que tomará as medidas judiciais cabíveis.

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