DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

PSL em São Paulo já destituiu 120 diretórios municipais

Legenda no Estado, comandada por Eduardo, simboliza clima de guerra entre as alas de bolsonaristas e bivaristas

Paula Reverbel e Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2019 | 05h00

A disputa interna no PSL entre bolsonaristas e bivaristas paralisou o partido em São Paulo e deve comprometer o desempenho da sigla nas eleições municipais do ano que vem. Ameaçada de destituição pela Executiva Nacional do partido, a atual direção da legenda no Estado, liderada pelo deputado Eduardo Bolsonaro, está operando praticamente sem dinheiro.

Boa parte da rede de diretórios municipais articulada pelo grupo do senador Major Olímpio, alinhado com o presidente nacional do PSL, Luciano Bivar, foi desmontada por Eduardo, que assumiu o comando do partido no Estado em 10 de junho. Dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) mostram que, de um total de 206 diretórios municipais, 120 haviam sido destituídos até sexta-feira.

Além disso, o diretório paulista funciona de forma precária e em caráter provisório. Devido a problemas contábeis na prestação de contas anterior às eleições do ano passado, o PSL-SP foi proibido de receber repasses do diretório nacional e hoje tem orçamento de apenas R$ 10 mil mensais de doações de diretórios municipais. Esse dinheiro paga três funcionários.

A sigla chegou a fazer um parcelamento da dívida com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pagar 120 parcelas de R$ 3.500, mas o acordo foi cancelado depois que o PSL perdeu os prazos de pagamento. Nos últimos dois meses e meio, o partido do presidente ficou sem sede no principal colégio eleitoral do País. A legenda ainda não tem sede municipal na capital.

Bivar teria se comprometido, segundoo atual tesoureiro, Otavio Oscar Fakhoury, a arcar com o aluguel de uma nova sede na Avenida Brigadeiro Luis Antonio, ao lado do escritório da advogada Karina Kufa. O grupo de Bolsonaro acusa Bivar, porém, de não ter honrado o acordo e atrasado os pagamentos. 

Na quinta-feira passada, a reportagem do [BOLD]Estado[/BOLD] foi até a sede do partido, mas não foi autorizada a entrar. A fachada do imóvel não tem nenhuma placa.

Caso não seja destituído, o grupo de Bolsonaro diz temer que o diretório nacional não repasse recursos até dezembro, quando termina o mandato da atual executiva.

Ligado aos bolsonaristas, Fakhoury reconhece que a divisão deve ter consequências eleitorais para o PSL. “Nós não conseguimos trabalhar o interior. Essa insegurança política é um cenário ruim. A gente nomeia o diretório, mas eles não sabem até quando vão ficar”, disse o tesoureiro.

Para justificar as destituições, ele alega que haviam “esquerdistas” no comando de diretórios. “A manutenção desses diretórios prejudicaria o partido. Estava cheio de petistas e partidos do Foro de São Paulo. Em Itanhaém, o cara do diretório foi candidato pelo PT em 2016”, disse.

O antecessor de Eduardo na direção da seção paulista do PSL, porém, vê um cenário de “terra arrasada” no diretório. “Todo o trabalho que fizemos foi por água abaixo”, disse Olímpio ao Estado. Procurado, Bivar não atendeu à reportagem. 

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