Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

PSL e PT articulam CPI unificada da Dersa na Assembleia de São Paulo

Deputado petista alega que número mínimo de assinaturas já foi atingido; CPI deve mirar ex-diretor da estatal, Paulo Vieira de Souza, ex-operador do PSDB preso pela Lava Jato

Pedro Venceslau, Fabio Leite e Mateus Fagundes, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2019 | 20h08

Deixando de lado as desavenças demonstradas após a derrota de Janaína Paschoal para Cauê Macris na eleição da presidência da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), deputados estaduais do PT e do PSL, os dois maiores partidos da Casa, começaram a coletar assinaturas para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a Dersa e seu ex-diretor, Paulo Vieira de Souza, apontado como o operador do PSDB e da Odebrecht.

O deputado Paulo Fiorillo, do PT, disse que o partido vai apresentar uma CPI da Dersa, e o PSL uma para investigar o ex-diretor. A ideia, segundo o petista, é "construir uma maioria" com o PSL para que seja apresentada uma CPI unificada. Ele confirma que o partido já conseguiu coletar 33 assinaturas para abertura da CPI, uma a mais do que o mínimo exigido.

O protocolo de CPI desta legislatura abre às 8h da próxima segunda-feira, 18. Como a instalação de CPIs na Alesp segue a ordem cronológica de protocolo, deputados não descartam dormir na fila do protocolo de domingo para segunda para enviarem seus pedidos de CPI com antecedência.

Questionado sobre a união de esforços com o PT, legenda muito antagonizada por integrantes do PSL, o deputado Gil Diniz afirmou, no Plenário, que "se o PT assinar comigo a CPI da Dersa, do Paulo Preto (Paulo Vieira), ótimo". Apesar da intenção de união ao PT, Gil Diniz ressaltou que o PSL não articulará oposição ao governador João Doria (PSDB). "Somos independentes", afirmou. 

Já para o tucano Carlão Pignatari, "o PT é adversário". Ele acrescentou que em alguns projetos, o PSL e o Novo irão apoiar o governo. Macris, presidente tucano reeleito, minimizou: "Não é meu papel estabelecer contrariedade a qualquer CPI".

Na entrada do plenário, um funcionário da Alesp ficou coletando assinaturas dos deputados com pedido de instalação de outras cinco CPIs, para investigar supostas irregularidades na Sabesp, Iamspe, Furp, Renúncia Fiscal e Organizações do Terceiro Setor

Deputados da base aliada de Doria já tem assinaturas suficientes para protocolar a CPI das Barragens, para apurar a segurança das Barragens paulistas depois da tragédia de Brumadinho. 

Entenda. A CPI da Dersa, se concretizada, será a primeira derrota para o Palácio dos Bandeirantes. Paulo Vieira, preso desde fevereiro, é ex-operador do PSDB e ex-diretor da estatal condenado a 145 anos de prisão pela Operação Lava Jato em São Paulo. Nesta quinta-feira, 14, ele foi indiciado pela Polícia Federal por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Vieira é acusado de peculato, inserção de dados falsos e associação criminosa em ação de supostos desvios de R$ 7,7 mi nas obras do Rodoanel. O tucano Aloysio Nunes, nomeado por Doria para assumir a Investe SP, pediu demissão após buscas em seus imóveis, referente a cartão de crédito que Paulo Vieira havia emitido em seu nome em 2008.  

Doria já encaminhou um projeto de lei para a Assembleia que prevê a extinção ou fusão de estatais, entre elas a Dersa, por causa dos sucessivos casos de corrupção, envolvendo, principalmente, a construção dos trechos Sul e Norte do Rodoanel. 

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