FOTO: JF DIORIO / ESTAD?O
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PSL busca filiados para aumentar participação no Nordeste; campanha em todo o Brasil começa amanhã

Partido do presidente Jair Bolsonaro tem pouca representação na região, onde maioria dos governadores é de esquerda

João Ker, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2019 | 11h35

O Partido Social Liberal (PSL) começa no próximo sábado, 17, a principal fase da sua campanha de filiação para as eleições de 2020, com a convocação de novas alianças. Ainda assim, a sigla encontra pelo caminho um desafio que já se mostrou grande no último período eleitoral: conquistar espaço no Nordeste.  

Apesar do crescimento exponencial do PSL, que foi de nanico à segunda maior bancada da Câmara dos Deputados no último ano, a sigla ainda enfrenta forte resistência no eleitorado da região, como aponta levantamento do Estado. Entre os 151 deputados federais que representam o Nordeste, o partido tem apenas cinco, o equivalente a 3,3,% do total daqueles parlamentares  - em todo o país, são 513 -, sem ter conquistado sequer um senador ou governador nos nove Estados. 

Deputados da sigla no Nordeste ouvidos pela reportagem minimizam também a rixa de Jair Bolsonaro com a região e defendem que o problema do presidente é com os governadores e não com a população. Nas últimas semanas, o presidente afirmou que os líderes dos nove estados querem “para dividir o Brasil”

Ele também foi gravado se referindo a nordestinos como “paraíbas” e negou qualquer política discriminatória, após o Estado ter revelado que apenas 2,2% dos empréstimos concedidos pela Caixa Econômica Federal em 2019 foram destinados à região.

“O nosso objetivo é ter candidatos próprios em todas as grandes capitais. Gostaríamos de lançar candidaturas em, pelo menos, cidades com mais de 100 mil habitantes”, afirma Luciano Bivar, presidente da sigla, sobre a estratégia específica do PSL para conquistar o Nordeste no próximo ano. 

“Existe uma forte articulação do PSL na Bahia, com vereadores e vice-prefeitos que já estão filiados e vindo para o nosso partido”, afirmou a deputada federal baiana Dayane Pimentel, eleita pela sigla com 1,99% dos votos. Tanto lá quanto nos outros oito estados do Nordeste, Bolsonaro foi o candidato à Presidência menos votado no primeiro e no segundo turnos das eleições de 2018.  

De acordo com a deputada, uma das estratégias principais é se aliar a partidos como o DEM, o PSD e o PL. “A nível nacional, esses partidos estão juntos com Bolsonaro e votaram com ele na reforma, inclusive têm relação amistosa com ele. Essa estratégia desce do Palácio [do Planalto] até a Bahia, para vencer um inimigo maior”, afirma.

Cautela nas alianças partidárias

Paulo Azi, deputado federal e presidente estadual do DEM na Bahia, mostra cautela ao afirmar diretrizes para alianças com outros partidos em 2020. “Temos uma prioridade de procurar fazer com que o partido tenha o máximo de candidaturas próximas, principalmente nas 50 maiores cidades do estado. Nesse momento, ela está buscando candidaturas para o partido dela e eu para o meu”, diz, sem descartar uma possível aliança “lá na frente”.

O deputado federal José Carlos Araújo, presidente do PL na Bahia, também afirma ainda não ter estabelecido nenhum contato com o PSL, e que ainda é cedo para dizer à qual partido sua sigla irá se associar no próximo ano. “Não vamos vincular as eleições para 2022 como um todo, mas apenas para municípios específicos, como fazemos com qualquer outro partido. Cada município tem sua particularidade.”  

Expandir a influência do PSL na região de 53 milhões de habitantes pode ser um dos principais desafios para 2020, que se impõe ainda mais após as declarações do presidente de que o governo federal não devia dar “nada” ao governador de Maranhão, Flávio Dino, do PCdoB. Em 2018, o partido não conseguiu eleger nenhum deputado federal ou estadual lá. O mesmo se repetiu no Piauí. 

O trunfo da polarização

Para o cientista político Humberto Dantas, pesquisador da FGV-SP, a disputa de Jair Bolsonaro com os governadores nordestinos têm objetivo de acirrar a polarização, tática do presidente desde a campanha. “Ele leva a lógica da eleição para dentro do governo e governa desse jeito. É um governo de conflito e em conflito”, diz. 

“Nós temos um público que gosta do Bolsonaro e, agora, o PSL precisa capitalizar esse grupo para que eles se filiem ao partido e sejam nossa base dois anos depois, nas eleições presidenciais de 2022”, opina Heitor Freire (PSL-CE), acrescentando que s eleitores do presidente se identificam com seu jeito “verdadeiro” e “sem o politicamente correto”.

Um colaborador de Bolsonaro ouvido pelo Estado na última semana também afirmou que o presidente pretende manter o discurso polarizador. “Bolsonaro vive uma antiga lógica política em que é preciso construir um adversário, um inimigo, para poder se fazer sobre ele e governar. Não foi diferente com outros governos, principalmente Lula. [Isso] é ruim porque vai adensando ainda mais diferenças que não existem em boas partes dos casos, discursos construídos”, disse. Segundo Dantas, é desse antagonismo que deve surgir, inclusive, um candidato alinhado à esquerda para disputar a Presidência em 2022. 

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