REUTERS/Adriano Machado
REUTERS/Adriano Machado

PSL avalia processo disciplinar que pode causar expulsão de Eduardo Bolsonaro

‘Dia D’ de filho do presidente ainda terá análise da declaração sobre 'AI-5' pelo Conselho de Ética da Câmara

Amanda Pupo, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2019 | 07h00

BRASÍLIA - O líder do PSL na Câmara, Eduardo Bolsonaro (SP), terá uma semana decisiva. Hoje, na Câmara, o Conselho de Ética pode dar os primeiros passos na análise de ações contra o parlamentar por causa de sua declaração sobre o AI-5. Deve sair da cúpula do PSL, no entanto, a decisão que poderá trazer consequências mais imediatas ao filho ‘03’ do presidente Jair Bolsonaro - como ter de deixar a liderança da sigla. A reunião do partido, que antes estava marcada para hoje, deve ser realizada apenas nesta quarta-feira.

Eduardo é alvo de cinco procedimentos na comissão de ética do PSL depois de ter protagonizado uma disputa pelo comando do partido na Câmara. A punição mais grave é a expulsão. No entanto, para o deputado Delegado Waldir (PSL-GO), que rivalizou com Eduardo a ‘guerra de listas’ pela liderança, a expulsão do parlamentar não é a melhor saída.

Retirar o parlamentar a força do partido poderia ter o efeito contrário da punição, avalia Waldir. Isso porque, atualmente, Eduardo e outros parlamentares da ala ‘bolsonarista’ estudam como deixar o PSL sem perder seus mandatos. Pela regra da fidelidade partidária, um deputado não pode deixar o partido pelo qual foi eleito sob risco de perder o cargo.

Há, porém, algumas exceções. Uma delas é justamente a expulsão da sigla, que poderia servir como "justa causa" para a troca partidária.“A criança faz manha, você vai dar o doce que ela quer? A expulsão talvez seja o que ele queira para poder migrar para outro partido”, disse Waldir ao Broadcast.

Por outro lado, o deputado Júnior Bozzella (SP), um dos principais porta-vozes do presidente da sigla, Luciano Bivar (PE), disse não acreditar que uma eventual expulsão possa ser usada por Eduardo dessa forma. “Hoje não tem nada que justifique uma ‘justa causa’. Está muito claro, eles estão em franca campanha com o novo partido”, disse o parlamentar ao Broadcast.

Segundo Bozzella, a reunião de amanhã irá deliberar sobre qual penalidade será aplicada, o que só virá a ser homologado na próxima semana pelo diretório. Ou seja, os efeitos práticos da decisão só chegariam em alguns dias, de acordo com o deputado. Um deles, caso Eduardo seja suspenso, é o risco de o parlamentar perder a liderança do partido na Câmara.

Bozzella também afirmou que o ‘03’ de Bolsonaro é que o deputado que talvez “reúna mais elementos para possível expulsão”. No total, 19 parlamentares do PSL são alvos de procedimentos disciplinares. Ele ponderou, por outro lado, que a suspensão talvez seja uma “punição mais cabível” neste momento aos deputados.

Se Eduardo perder a liderança do PSL na Câmara, juntamente a eventual suspensão de outros parlamentares ‘bolsonaristas’, a ala ‘bivarista’ do partido ganharia força e poderia ter maioria das assinaturas necessárias colocar alguém ligado a Luciano Bivar no comando da sigla na Casa.

Já no Conselho de Ética da Casa, a reunião desta terça não deve ter repercussão imediata para Eduardo. O que está programado para acontecer, segundo o presidente do grupo, deputado Juscelino Filho (DEM-MA), é o sorteio dos parlamentares que irão compor a “lista tríplice” de potenciais relatores do processo contra Eduardo. O nome final é escolha de Juscelino. Ao fim deste processo da comissão, Eduardo pode ser punido até mesmo com a perda do mandato parlamentar. Essa sanção mais grave precisaria passar pelo plenário da Câmara.

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