Psiquiatra anuncia novidades contra o alcoolismo

O coordenador do Departamento de Dependência Química da Associação Brasileira de Psiquiatria, Sérgio de Paula Ramos, anunciou, no XIX Congresso Brasileiro de Psiquiatria, uma forma de tratamento de maior eficácia no combate ao alcoolismo. "Estamos vencendo a parada contra o alcoolismo", afirmou durante uma mesa-redonda sobre o assunto. A receita do especialista inclui técnicas psicoterápicas e medicações que, segundo ele, "realmente diminuem o apetite para o álcool". Ramos trabalha no Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre (RS), e garantiu que no período de um ano, 70% dos pacientes das unidades que aderiram ao tratamento, freqüentando todas as sessões indicadas e tomando a medicação prescrita, tornaram-se abstêmios. O hospital é pioneiro nessa estratégia e a expectativa de Sérgio de Paula Ramos é a divulgação e utilização do método em todos os centros de dependentes do País. Ele observou que a maior dificuldade na luta contra o alcoolismo ainda é a resistência do paciente em querer se tratar, daí a necessidade de utilização das várias técnicas. Ele garantiu que a medicação sozinha não funciona. Também não é qualquer terapia psicológica que produz resultado. "O profissional tem que ser especialista em alcoolismo ou dependência química", afirmou ele. Os remédios utilizados só devem ser prescritos por psiquiatras ou psicoterapeutas. O último levantamento brasileiro apontou que 10% dos adultos do País são alcoólatras e outros 10% têm problemas com álcool, totalizando 30 milhões de pessoas. Um número bem maior de pessoas é atingida pelo comportamento destes doentes através, por exemplo, da violência doméstica e acidentes no trânsito. Reduzindo O psiquiatra pernambucano Evaldo Melo de Oliveira, diretor do Instituto Raid, de atendimento a dependentes de drogas, também participou da mesa-redonda, frisando que parte dos dependentes de drogas negam-se a abandoná-las completamente, e que nunca se vai conseguir erradicar o uso, devido à angústia social ou individual que leva a pessoa a buscar uma solução ilusória no álcool ou outras drogas. Para esses casos, ele pregou um tratamento mais flexível que visa reduzir o prejuízo causado pelo viciado a si mesmo, à família e à coletividade. "O lema dos Alcoólicos Anônimos - se quiser parar de beber, o problema é nosso; se quiser continuar, o problema é seu - não pode ser adotado pelo Estado, que não pode abandonar os que não desejam parar de beber", afirmou ele. "Por isso, estrategicamente, temos que buscar um caminho que leve à redução". Melo disse que uma proposta não-radical pode conquistar a confiança do paciente que se recusa a admitir a abstinência, podendo ajudá-lo a retomar o controle sobre si e a liberdade de opção. "É importante o resgate da liberdade de escolha, mesmo que seja a de continuar com o álcool ou outra droga", disse ele. Mas, nesse caso, a pessoa teria condições de proteger melhor a si e ao outro. O XIX Congresso Brasileiro de Psiquiatria começou na quarta-feira e se encerra hoje, no Centro de Convenções de Pernambuco, no município metropolitano de Olinda. Reúne cerca de 2 mil pessoas e discute de depressão a terrorismo internacional, de obesidade a reforma psiquiátrica.

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