PSDB vai ao Conselho de Ética contra Sarney pela 4ª vez

Motivo agora é um grampo da PF que levanta a suspeita de envolvimento do senador em negociações para nomeação de namorado de sua neta

Eugênia Lopes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

17 de julho de 2009 | 00h00

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio Neto (AM), anunciou ontem que vai apresentar na semana que vem nova denúncia ao Conselho de Ética contra o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP). O tucano quer que o conselho investigue a participação de Sarney nas negociações que levaram o então diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, a nomear o namorado da neta do senador para um cargo na Casa, conforme publicou ontem o Estado. Às vésperas do início do recesso parlamentar, Sarney preferiu não aparecer ontem no plenário, frustrando a expectativa de que fizesse um balanço sobre as atividades do Senado no primeiro semestre. "Vamos ver se a água mole em pedra dura tanto bate até que fura", afirmou o líder tucano. É a terceira denúncia que ele apresenta contra Sarney no Conselho de Ética. O ceticismo de Virgílio em relação ao conselho tem motivos. Dos 15 integrantes do colegiado, dez são da base aliada e estão dispostos a salvar Sarney. Além disso, o recém-eleito presidente do conselho, senador Paulo Duque (PMDB-RJ), já sinalizou a disposição de mandar arquivar tanto as denúncias quanto a representação do PSOL contra o presidente do Senado por falta de decoro. Pelo regimento, Duque tem poderes para barrar a investigação logo no início, mas a oposição já avisou que vai recorrer. NA BERLINDAOs cinco senadores de oposição já deixaram assinado recurso na eventualidade de Duque determinar, durante o recesso, o arquivamento das denúncias e da representação. "Tomamos essa precaução porque como vamos estar em recesso e cada senador é de um Estado diferente, seria difícil reunir as assinaturas da oposição", disse o líder do DEM, José Agripino Maia (RN). Em sua avaliação, a nova denúncia torna a situação de Sarney mais grave. Agripino está certo de que as férias parlamentares irão "acalmar" a pressão sobre Sarney, mas avalia que o peemedebista continuará na berlinda. "Os fatos contra Sarney continuam consistentes, mesmo havendo recesso. O que irá apenas ocorrer é um lapso de tempo nessa pressão", disse. Virgílio, que foi ontem para Manaus, pretende entrar com a representação na próxima segunda-feira no Conselho de Ética. Reportagem publicada ontem pelo Estado revela gravações reunidas pela Polícia Federal durante a Operação Boi Barrica, com telefonemas entre Fernando Sarney, um dos filhos do senador, para o ex-diretor Agaciel Maia. Nas escutas telefônicas, existem referências diretas a nomeações de parentes e agregados do clã Sarney por ato secreto. A primeira reunião do Conselho de Ética está marcada para 5 de agosto. O órgão terá de analisar as denúncias apresentadas pelo líder tucano e a representação do PSOL contra Sarney. Em duas denúncias, Virgílio solicita ao Conselho que apure a suposta responsabilidade de Sarney na edição dos 663 atos secretos, além da suspeita de ter usado o cargo para favorecer a Fundação José Sarney. O PSOL pede a punição de Sarney por quebra de decoro no caso dos atos secretos. O partido também pediu a abertura de processo contra o ex-presidente Renan Calheiros.PROTESTOEstudantes da Universidade de Brasília (UnB) promoveram um protesto ontem no Senado. Eles trajavam camisetas brancas com letras da frase "Fora Sarney". Seguranças arrancaram o aluno que vestia o "S" - a frase ficou "Fora Arney".

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