PSDB vai aguardar defesa de Arruda

Aguardar a defesa. Esta parece ser a linha adotada pelo PSDB em relação ao afastamento, ou não, do partido de seu ex-líder no Senado, o senador José Roberto Arruda envolvido no escândalo de violação do painel do Senado. Diferentes representantes do PSDB, reunidos hoje no evento de inauguração da Fundação Mário Covas, em São Paulo, afirmaram que a decisão do afastamento, ou não, do senador Arruda, neste momento, seria um pré-julgamento equivocado, uma vez que ele ainda não apresentou sua defesa em relação ao caso junto à Comissão de Ética do Senado. "Não há como tomar qualquer atitude sem que conheçamos antes a defesa do senador. Esse direito é garantido pelos princípios do partido", afirmou um dos vices-presidente do PSDB deputado Alberto Goldman. Ele admitiu que as denúncias contundentes da ex-diretora do Prodasen, Regina Borges, trouxeram grande constrangimento ao partido por conta do envolvimento de Arruda, também vice-presidente do PSDB. Mas disse que, provavelmente, será o resultado das apurações do próprio Senado sobre o caso - que ele acredita saia logo - que definirá a situação do ex-líder do governo dentro do partido. Goldman sugeriu ainda que, na situação atual, seria melhor que o próprio senador José Roberto Arruda tomasse uma iniciativa sobre o caso. Questionado se tal atitude seria a renúncia do senador ao partido, Goldman respondeu: "Não vou dizer, já que a iniciativa teria de ser dele, não minha." O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, também defendeu o término da apuração sobre o escândalo antes de um julgamento do partido em relação a Arruda. "O senador agiu corretamente ao se afastar da liderança, até que tudo seja investigado. Não é o caso de pré-julgarmos", avaliou o ministro da Educação. "A consciência é que vai dizer, no caso de comprovação, qual a atitude política que ele deve tomar." Durante a manhã, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, também defendeu posição semelhante, afirmando que o partido não pode fazer um pré-julgamento em relação ao ex-líder do governo sem que haja a comprovação de sua participação na violação do painel do Senado na sessão de cassação do ex-senador Luiz Estevão. Também presente no evento da Fundação Mário Covas, os ministros José Serra, da Saúde, e Andrea Matarazzo, secretário de Comunicação do governo, preferiram não se manifestar sobre o assunto. "Este é um assunto chato. Vamos deixar para segunda-feira", afirmou Matarazzo.

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