Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

PSDB usa estratégia de vincular imagem de Dilma à de tesoureiro

Presidente da sigla, Aécio Neves orienta bancada a fazer associação e diz estar ‘estarrecido’ com acusações de delator

Débora Bergamasco, Erich Decat e Daiene Cardoso, O Estado de S. Paulo

05 Fevereiro 2015 | 17h43

A estratégia da oposição para colar a imagem da presidente Dilma Rousseff à do tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, será a de insistir em perguntar se Vaccari tem a confiança de Dilma. “Durante a campanha, o (então candidato a presidente do PSDB) senador Aécio Neves questionou se Dilma confiava em Vaccari e ela disse que sim. A pergunta que vamos levantar novamente é: será que a presidente Dilma continua confiando em seu tesoureiro?”, adiantou ao Broadcast, serviço de notícia em tempo real da Agência Estado, o líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB). 

A orientação partiu de Aécio, que não esteve em Brasília nessa quinta, mas disparou telefonemas a seus pares e utilizou o Facebook para dizer que as denúncias são “estarrecedoras”.

“Mais de US$ 200 milhões (segundo o delator) foram desviados ao longo dos últimos anos da nossa maior empresa para o Partido dos Trabalhadores. Durante a campanha eleitoral, eu, várias vezes, cobrava, inclusive da candidata Dilma Rousseff, uma posição sobre se ela confiava ou não no tesoureiro do seu partido, hoje, denunciado por esse dirigente da Petrobrás como o receptor de parte desse recurso desviado. Nada como o tempo para trazer luz à verdade”, disse o senador tucano em seu perfil.

Aécio disse que é fundamental que as investigações continuem ocorrendo e os responsáveis sejam punidos exemplarmente. “E nós da oposição estamos e estaremos atentos para que não haja qualquer manobra que desvie o centro dessa questão. É preciso que saibamos, de forma muito clara, quem foram os responsáveis por esses desvios, quem foram aqueles responsáveis por suas indicações e, em especial, quem foram os beneficiários desse esquema. É triste para o Brasil. Estamos absolutamente atentos para que no Congresso Nacional, através da CPI na Câmara, possa avançar nessas investigações.”

O senador Aloysio Nunes (SP) comparou a Lava Jato ao mensalão. “Enquanto o mensalão era investigado, esta turma estava em plena operação. É a mesma metodologia.”

Sigilo. Ontem, a bancada do PPS na Casa anunciou que vai pedir a convocação e a quebra dos sigilos de Vaccari e do ex-diretor de Serviços da estatal Renato Duque.

“Já preparamos os requerimentos de convocação e quebra de sigilos desses dois personagens que estão no centro do esquema que roubou bilhões da Petrobrás. A situação deles é grave e atinge diretamente a presidente Dilma Rousseff e o financiamento de sua campanha”, informou o líder do PPS, deputado federal Rubens Bueno (PR), por meio de nota. / COLABORARAM ELIZABETH LOPES e PEDRO VENCESLAU

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