PSDB tem primeira crise após vitória de Aécio

Menos de 24 horas depois da vitória do deputado Aécio Neves (PSDB-MG) para a presidência da Câmara, o PSDB enfrenta sua primeira crise com prováveis desdobramentos na sucessão presidencial de 2002. O governador Tasso Jereissati, do Ceará, considera-se traído pelo presidente Fernando Henrique e pela cúpula do PSDB por conta dos acordos feitos para a composição da Mesa do Senado e a indicação das lideranças do partido no Senado e na Câmara. Preocupados com a possibilidade de Tasso vir a deixar o partido e reforçar a candidatura de Ciro Gomes (PPS) à sucessão de Fernando Henrique, os dirigentes tucanos tentavam ao longo do dia debelar a crise. Numa clara demonstração de que as relações estariam estremecidas, Tasso cancelou sua viagem à Brasília, onde teria encontros com Fernando Henrique Cardoso e dirigentes do PSDB. "O governador está entendendo que o presidente já tomou sua posição em favor da candidatura de Serra", disse um tucano referindo-se ao ministro da Saúde, José Serra, quem mais lucrou com o resultado da eleição do Congresso com a consolidação do acordo PSDB e PMDB. Os políticos que conversaram com Tasso, por telefone, garantem que, para o governador, todos os sinais do governo têm sido dados no sentido de fortalecer Serra. " A situação está insustentável", resumiu o senador Lúcio Alcântara (PSDB-CE), ligado ao governador cearense. A crise no PSDB foi, inclusive, motivo das conversas dos líderes governistas com Fernando Henrique. "A situação é grave", comentou um líder. O foco da crise está localizado no próprio PSDB do Ceará, desde a reeleição de Tasso Jereissati ao governo estadual. Decidido a disputar o cargo de governador, o senador Sérgio Machado (PSDB-CE) viu-se obrigado a desistir do pleito. A partir daí, o relacionamento dos dois tornou-se insustentável e o rompimento político irreversível. Isolado do PSDB cearense, Sérgio Machado, um dos principais operadores da candidatura de Jader Barbalho à presidência do Senado, foi reconduzido ao cargo de líder no Senado. Depois da eleição de Jader, Machado entregou à Mesa do Senado o abaixo-assinado com o apoio da maioria da bancada. Apenas os dois senadores do Ceará, Lúcio Alcântara e Luiz Pontes, não assinaram o documento. "Essa prática de assinatura precisa acabar em nosso partido", reagiu o senador Álvaro Dias (PSDB-PA), em meio à crise. Segundo interlocutores do PSDB, Tasso teria acertado com Fernando Henrique que a liderança do PSDB no Senado seria renovada. Mas isso não aconteceu. Tasso alegou que, a pedido de Aécio Neves (PSDB-MG), conseguira demover o senador Lúcio Alcântara de disputar a presidência como alternativa à Jader Barbalho. O presidente nacional do PSDB, senador Teotônio Vilela Filho (AL), confirma que o gesto de Tasso foi decisivo para viabilizar a vitória de Jader, uma vez que Alcântara seria um forte adversário. "Tasso não recebeu reciprocidade", constata Arthur Virgílio que, juntamente com o senador José Roberto Arruda (PSDB-DF), líder do governo no Congresso, atuava como bombeiros. "Ele evitou que o quadro da Câmara se desestabilizasse", completou. Acordo - E para agravar a situação, a cúpula do PSDB, para eleger Jader, acertou um acordo para a composição da Mesa que excluiu a primeira vice-presidência, cujo candidato natural era Alcântara. O cargo foi para o senador Edison Lobão (PFL-MA), pertencente ao grupo do senador José Sarney (PMDB-MA). A outra opção, a primeira-secretaria, foi negociada com Carlos Wilson(PPS-PE), em nome do bloco de oposição. Outra irritação de Tasso é a insistência da cúpula tucana e do ministro José Serra em dar a liderança do partido na Câmara ao deputado Juthay Magalhães Júnior (PSDB-BA), um dos principais aliados do ministro Serra na Câmara. Além disso, Juthay é um opositor radical do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), defensor da candidatura de Tasso à presidência da República. A eleição do novo líder ficou adiada para a próxima semana. Mas Tasso deve liberar sua bancada para não ter o desgaste de ser acusado de impor vetos à bancada. "Ele não quer se meter em mais nada", disse um tucano, para quem a liderança do PSDB deveria ser oferecida a Virgílio para que o cargo de liderança do governo no Congresso seja negociado com o PFL.

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