Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

PSDB-SP define data de prévias que favorece Doria

Reunião da executiva estadual do PSDB definiu como 25 de março a data máxima para a escolha do candidato do partido à sucessão do governador Geraldo Alckmin

Adriana Ferraz, O Estado de S.Paulo

21 Fevereiro 2018 | 05h00

A vitória obtida pelo prefeito de São Paulo, João Doria, na reunião da executiva estadual do PSDB nesta segunda-feira, 19, – que definiu como 25 de março a data máxima para a escolha do candidato do partido à sucessão do governador Geraldo Alckmin – foi depois sucedida de uma decisão desfavorável aos planos do tucano. Pressionado pelos demais interessados em disputar o governo, o presidente estadual do partido, Pedro Tobias, abriu prazo de dez dias para inscrição na prévia, o que pode forçar Doria a assumir a pré-candidatura quase um mês antes do planejado.

Doria e sua equipe preferem adiar a oficialização da candidatura dele ao Palácio dos Bandeirantes até o dia 25, desde que o prefeito vença a prévia estadual. A estratégia é mostrar que ele segue gestor, não político, e que a decisão de abandonar a Prefeitura com um ano e três meses de mandato (7 de abril, prazo máximo permitido pela lei eleitoral) tem como pano de fundo a intenção de ajudar Alckmin na eleição presidencial, além de dar sequência ao seu legado à frente do Estado quando nenhum outro tucano surge como sucessor natural.

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Após anunciar o placar de 16 votos a oito, pela realização de prévias em março, como desejava Doria – se o pleito ocorresse após 7 de abril, o prefeito teria de renunciar antes de concorrer –, Tobias aceitou a sugestão de Floriano Pesaro, pré-candidato assumido desde o ano passado, de que já é hora de os interessados mostrarem a cara. 

“Precisamos saber quem vai disputar a prévia, até para que possamos organizá-la. Minha ideia é que cada um dos pré-candidatos indique uma pessoa para compor a comissão organizadora. O partido indicará outros quatro”, disse Tobias. 

Janela. Para Pesaro, essa janela de inscrição se faz necessária para que o debate fique mais transparente e que a próxima reunião do diretório estadual, marcada para 5 de março, ocorra já com os pré-candidatos definidos. Luiz Felipe d’Ávilla, o outro pré-candidato tucano assumido desde 2017, também concorda com a decisão de Tobias, de delimitar um prazo de inscrição.

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“Não dá para adiar mais isso. Precisamos definir as regras do jogo e quem vai participar dele. Os filiados do PSDB merecem saber quem quer ser governador do Estado e merecem ter tempo para conhecer suas propostas. Caso contrário, perderemos a chance de usar a prévia para restabelecer o diálogo com a sociedade para apenas escolher entre um ou outro nome”, afirmou d’Ávilla.

José Aníbal, que também não se colocou oficialmente na disputa, não foi encontrado nesta terça-feira, 20, para informar se vai seguir a recomendação de Tobias e assinar sua ficha para participar da prévia. Ele defendia que o pleito ocorresse somente em maio.

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Brecha. Doria, por sua vez, busca um caminho alternativo: para não ficar fora do pleito interno nem antecipar o anúncio oficial de sua pré-candidatura ao governo, a solução encontrada é assegurar uma inscrição indireta, ou seja, feita por um terceiro. Algum colega de partido indica seu nome e, consultado, o prefeito dá o aval para ser testado na prévia.

Ao governador, no entanto, o comunicado já foi feito. Ele e o prefeito se reuniram neste domingo, 18, no Palácio dos Bandeirantes, para debater pela primeira vez a sucessão estadual. Como não conseguiu assegurar, até aqui, um palanque único – já que os tucanos não concordaram em apoiar a reeleição do vice, Márcio França, nem o convenceram de abrir mão da candidatura, ao menos por enquanto – Alckmin passou a aceitar o nome de Doria sem, no entanto, tomar frente de qualquer iniciativa para elegê-lo.

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Nesta terça-feira, seis dos nove vereadores tucanos no exercício do mandato assinaram uma carta pedindo a candidatura de Doria ao governo do Estado – Mario Covas Neto (filho do ex-prefeito e ex-governador tucano), um dos três que não participaram da iniciativa, cogita deixar o partido por não concordar com a postura do prefeito – ele foi substituído pela bancada do posto de presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, a mais importante da Casa. O parlamentar tem convite do Podemos.

Vice-prefeito da capital, Bruno Covas, que é sobrinho de Mario (o vereador), também participou do encontro promovido pela bancada tucana nesta terça-feira. Depois, escreveu nas redes sociais: “Parabéns, prefeito. Seja qual for a sua escolha, conte comigo.” Se Doria renunciar, Bruno se torna prefeito, aos 38 anos.

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