PSDB só fala sobre mensalão mineiro após denúncia

Sérgio Guerra e Jereissati encontram Azeredo para discutir o caso de caixa 2 na campanha

Christiane Samarco,

25 de setembro de 2007 | 22h07

A cúpula do PSDB decidiu que só vai se manifestar sobre as denúncias de envolvimento do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) no chamado esquema do mensalão mineiro, depois que o procurador geral da República, Antonio Fernando de Souza, se pronunciar sobre o caso."Só falaremos sobre o assunto diante de um fato concreto, que se dará apenas quando o procurador se manifestar. Não vamos nos atrapalhar com este episódio", resumiu nesta terça-feira o senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), ressaltando que, ao menos por enquanto, não há denúncia contra o correligionário. Foi no gabinete de Guerra que o presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), reuniu-se à tarde com Azeredo. Logo na chegada, o senador mineiro fez questão de se mostrar indignado com as denúncias em que aparece como chefe do esquema de desvio de recursos de estatais para alimentar o caixa 2 da campanha de 1998, em que disputou e perdeu a reeleição ao governo estadual. "Para começar, essa campanha não foi minha não; foi do PSDB todo, inclusive de Fernando Henrique (Cardoso) à reeleição", disse o senador, cobrando solidariedade do partido. O apoio público dos companheiros veio em seguida. Em defesa de Azeredo, o líder tucano no Senado, Arthur Virgílio Neto (AM) comparou a situação do senador mineiro com a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Os dois incorreram em caixa 2 de campanha. Lula diz que não sabia e Azeredo não sabia mesmo, mas o fato é que ambos se beneficiaram do caixa 2". Na mesma linha, o deputado Paulo Renato Souza (PSDB-SP) argumentou que, na hipótese de as acusações do mensalão de Minas e do mensalão do PT serem verdadeiras, a tese do tucanato é uma só: "Não dá para indiciar o Azeredo, sem indiciar o Lula". Arthur Virgílio também pôs em dúvida as notícias de que o procurador da República vá indiciar Azeredo. "Ponho as minhas mãos no fogo pela pessoa séria que é o procurador e afirmo que ele não disse a quem quer que seja se vai ou não haver indiciamento. Por um caso parecido, ele não denunciou Lula", insistiu o líder. Sérgio Guerra, por sua vez, foi taxativo ao afirmar que, "do ponto de vista do PSDB, Azeredo é um cara absolutamente honesto, e ingênuo, até". Embora admita que Azeredo chegou "muito preocupado a seu gabinete", Guerra afirma que a conversa foi muito tranqüila e cordial. "Há um processo que corre em segredo de justiça, mas só vazam as acusações, não vazam nada da minha defesa", queixou-se Azeredo. O que mais o irritou foram as cifras atribuídas aos custos de sua campanha. "Se minha campanha custou R$ 100 milhões como dizem, a do presidente da República custou R$ 1 bilhão. Esse dado é absurdo demais", protestou. Ele também contestou a inclusão das Centrais Elétricas de Minas Gerais (Cemig) na lista das empresas que participariam do esquema de desvio de recursos públicos para as campanhas. "É impossível fazer campanha publicitária fictícia em uma empresa do porte da Cemig, com os controles que ela tem. A Cemig tem ações na Bolsa de Nova York", argumentou.

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