PSDB resiste e já ameaça brecar o acordo com governo sobre a CPMF

Dirigentes tucanos admitem que o partido está dividido sobre negociações com o Planalto em torno do imposto

Rosa Costa e Denise Madueño, O Estadao de S.Paulo

03 de novembro de 2007 | 00h00

A resistência interna do PSDB pode impedir o acordo político que o partido vem negociando com o governo federal para aprovar no Senado a prorrogação da cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Depois de dois encontros com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, onde negociaram mudanças na cobrança do imposto em troca do apoio à aprovação da proposta, dirigentes tucanos já admitem que o partido está muito dividido neste assunto e que as negociações podem acabar. Isto aconteceria para evitar um racha no PSDB, sobretudo entre as bancadas de deputados e senadores. "Tomaremos uma decisão que não divida o partido", anuncia o senador Sérgio Guerra (PE), futuro presidente nacional do PSDB, um dos interlocutores da legenda nas negociações com o governo. "O partido só não se dividirá se ficar contra a CPMF", avisa o senador Álvaro Dias (PR), contrário ao entendimento com o governo. Sérgio Guerra lembra que a avaliação será feita na reunião da Executiva Nacional, marcada para terça-feira. Para o líder no Senado, Arthur Virgílio (AM), ainda é cedo para marcar posição contra a aprovação da CPMF. "Não sofro de nenhum tipo de ejaculação política. Eles (governo) ficaram de apresentar uma proposta. Se for boa, votaremos a favor; se não, votaremos contra", adianta. Por enquanto, Sérgio Guerra entende que a equipe econômica do governo não fez nenhuma proposta concreta para compensar a prorrogação da contribuição. "A proposta não está completa, faltam elementos quantitativos, os números têm de ser vistos com mais tranqüilidade, precisamos fazer simulações", alegou. "Queremos uma solução que a sociedade possa compreender. Agora, não vamos encarar uma proposta que divida o partido", ressalvou. Virgílio concorda que ainda falta "uma proposta sólida" e que cabe ao governo apresentá-la o quanto antes."Não há o que agoniar, o prazo, o tempo é deles", alega. Para ele, uma "boa proposta" seria restringir a prorrogação a um ano, enquanto o Congresso examina a reforma tributária, além da redução de 0,2% de corte nos gastos públicos. Os deputados tucanos mantêm a posição contrária à CPMF e, na reunião da Executiva, tentarão convencer os senadores da importância de recuarem num eventual apoio com o Planalto para aprovar a prorrogação da cobrança do imposto. "A posição da bancada da Câmara está tomada e os deputados continuam convictos que foi a mais correta", afirma o líder na Câmara, deputado Antonio Carlos Pannunzio (SP). Na votação da CPMF na Câmara o partido ficou unido contra a proposta. O único dissidente foi o deputado Manoel Salviano (CE), que sempre votou com o governo. CONSENSO Apesar da divisão e até mesmo irritação dos deputados tucanos com os senadores, a posição de terça-feira deverá ser tomada por consenso, sem a necessidade de votação dos membros da Executiva. "Se os senadores estiverem convencidos que a contraproposta que ofereceram é boa, terão de fazer o convencimento disso aos membros da Executiva", afirma Pannunzio.Contra a CPMF, Álvaro Dias argumenta que a decisão do partido deve levar em conta que, assegurados os R$ 40 bilhões da contribuição, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva continuará aumentando os gastos públicos e deve engavetar a proposta de reforma tributária. "Sem este dinheiro, o governo terá de ter uma nova postura em relação aos gastos públicos e, entre outras coisas, acabar com a superposição de órgãos e o conseqüente desperdício aí existente", argumenta.

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