PSDB refuta manobra e deve pedir saída de Renan

Em nota, partido diz que Renan no comando da Casa ´obstaculiza" o processo

Agencia Estado

02 de julho de 2007 | 19h13

O PSDB reunirá sua bancada no Senado nesta terça-feira e deve pedir o afastamento de Renan Calheiros (PSDB-AM) da presidência do Senado, informaram à Reuters três parlamentares tucanos. Em nota divulgada nesta tarde, o partido condenou qualquer medida protelatória do caso. "Diante dos rumores de que o presidente do Conselho de Ética, senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO), estaria pretendendo remeter à Mesa Diretora do Senado Federal o processo relativo ao senador Renan Calheiros, ou até levá-lo ao Supremo Tribunal Federal, o PSDB entende que essa medida seria meramente protelatória. A concretizar-se, desestabilizaria aquele conselho, retirando-lhe o que lhe resta de credibilidade", informou o comunicado da sigla. Sob condição do anonimato, representantes do partido afirmaram que Renan não pode permanecer no comando da Casa sendo acusado de "obstaculizar" o processo por quebra de decoro que corre contra ele no Conselho de Ética. O movimento, se confirmado, consolida a oposição como fiadora da saída de Renan Calheiros do cargo. Na semana passada, o Democratas já havia pedido seu afastamento. O posicionamento do PSDB será formalizado em reunião na terça-feira. Os líderes tucanos na Câmara, Antonio Carlos Pannunzio (PSDB-SP), e Julio Redecker (PSDB-RS), também foram convidados a participar. Arthur Virgílio (AM), líder da bancada no Senado, disse que seu partido "não abre mão de que Renan seja julgado sob dois pressupostos: investigação profunda dos fatos e amplo direito de defesa". Irregularidades Na semana passada, Leomar Quintanilha, que assumiu a presidência do conselho na quarta-feira, pediu que a consultoria legislativa do Senado se pronunciasse a respeito do processo. Segundo ele, há indícios de irregularidades na investigação. A equipe técnica da Casa concluiu o parecer na última sexta-feira apontando, pelo menos, dois erros de tramitação. No primeiro caso, afirma que a perícia da Polícia Federal nos documentos apresentados por Renan devia ter sido solicitada pela Mesa Diretora, não pelo Conselho de Ética. No segundo, alega que a Mesa deveria ter sido convocada para deliberar a representação do PSOL contra o presidente do Senado. Na ocasião, sob argumento de uma solução rápida, foi o próprio Renan Calheiros quem decidiu sozinho em relação à abertura do processo. A reunião do conselho também está marcada para esta terça. Ainda sem relator, a investigação corre lenta. Aliados de Renan, sobretudo do PMDB, são acusados de manipular o processo. "O PSDB exige que o senador Renan Calheiros se submeta a julgamento no Conselho de Ética. É a grande oportunidade que tem de se defender. Caso contrário, poderá sofrer condenação pela opinião pública. E a crise poderá aprofundar-se, carregando com ela toda a instituição parlamentar, que nos empenhamos em defender", acrescentou a nota do PSDB.Veja a nota na íntegraDiante de rumores de que o presidente do Conselho de Ética, Senador Leomar Quintanilha, estaria pretendendo remeter à Mesa Diretora do Senado Federal o processo relativo ao Senador Renan Calheiros, ou até levá-lo ao Supremo Tribunal Federal, o PSDB entende que essa medida seria meramente protelatória.A concretizar-se, desestabilizaria aquele Conselho, retirando-lhe o que lhe resta de credibilidade. O Procurador-Geral da República já afirmou que é o Conselho de Ética e, após, se for o caso, o Plenário, que julga questões de decoro parlamentar. O PSDB não se afastará um milímetro de sua posição: exige investigação séria e transparente, garantindo-se ao acusado o mais amplo direito de defesa. Amanhã, a Bancada do partido no Senado se reunirá, às 10 horas, no Gabinete da Liderança, com a participação dos Líderes do PSDB e da Minoria na Câmara, Deputados Antonio Carlos Pannunzio e Júlio Redecker, para tomar decisão firme. O PSDB exige que o Senador Renan Calheiros se submeta a julgamento no Conselho de Ética. É a grande oportunidade que tem de se defender. Caso contrário, poderá sofrer condenação pela opinião pública. E crise poderá aprofundar-se, carregando com ela toda a instituição parlamentar, que nos empenhamos em defender. Brasília, 02 de julho de 2007 Senador Arthur VirgílioLíder do PSDB

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