PSDB quer barrar eventual aliança entre PT e PSD na eleição em São Paulo

Ordem do Bandeirantes é manter portas abertas para acordo e reconstruir a ponte entre as siglas

Gustavo Uribe e Daiene Cardoso, da Agência Estado

31 de janeiro de 2012 | 17h50

A aproximação entre PT e PSD em torno de uma aliança à sucessão da Prefeitura de São Paulo, movimento político que tem a bênção do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, levou o PSDB a deflagrar nos últimos dias esforço concentrado para barrar uma eventual dobradinha entre as duas siglas na capital paulista. A ordem do Palácio dos Bandeirantes é manter as portas abertas para uma aliança entre PSDB e PSD e, na medida do possível, ensaiar gestos públicos que reconstruam a ponte entre as duas legendas, rachada desde o final do ano passado.

 

O presidente municipal do PSDB em São Paulo, Julio Semeghini, reconheceu nesta terça-feira, 31, que a sigla vai trabalhar para que não haja um acordo entre PSD e PT e ressaltou que, até as prévias para a escolha do candidato tucano, marcadas para o dia 4 de março, as duas legendas podem avançar nas negociações. "Nós vamos trabalhar muito para que esse relacionamento com o PT não comece", avisou.

 

A declaração do presidente nacional do PSD e prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, de que as conversas com o PSDB estão encerradas, alarmou, na noite de segunda-feira, 30, membros do Palácio dos Bandeirantes, que temem enfrentar as máquinas federal e municipal na sucessão de São Paulo. Os caciques tucanos esperavam que o prefeito de São Paulo aumentasse os acenos políticos ao PT, mas não aguardavam que ele exibisse publicamente sua insatisfação com o PSDB.

 

Na última semana, em conversa com o secretário da Casa Civil de São Paulo, Sidney Beraldo, o prefeito de São Paulo não descartou uma aliança entre PSDB e PSD, mas insistiu na indicação do vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos (PSD), como candidato de uma eventual aliança. O presidente nacional do PSD teria reconhecido ainda que um acordo entre PT e PSD tem a simpatia das cúpulas nacional e estadual petistas, mas encontra bastante resistência entre lideranças municipais e movimentos sociais ligados ao PT.

 

Em busca de retomar as negociações com o PSD, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, não descartou nesta terça-feira, 31, pela primeira vez, um acordo entre PSDB e PSD que tenha como candidato o vice-governador de São Paulo. "Nenhuma hipótese pode ser descartada em uma conversa", avaliou o tucano, o qual ponderou, contudo, que é natural que o PSDB tenha candidatura própria nas eleições municipais.

 

"Mas, quando se faz um entendimento, todas as possibilidades são discutidas", acrescentou o governador, após cerimônia nesta manhã de apresentação de quatro unidades móveis do Via Rápida Emprego. Ainda que Afif Domingos não tenha participado do evento, o governador fez questão de citá-lo em discurso e, em entrevista coletiva, fez elogios à sua trajetória política. "Ele é um grande nome, tem serviço prestado a São Paulo, é um nome preparado para responsabilidades importantes."

 

A composição de uma aliança entre PSDB e PSD, que tenha o vice-governador como cabeça de chapa, encontra simpatia entre aliados do ex-governador José Serra, que vislumbram a oportunidade de unir as forças das máquinas estadual e municipal em torno de uma única chapa. Um eventual acordo, contudo, não é bem visto por alguns aliados do governador Geraldo Alckmin, que não pretendem abrir mão de uma candidatura própria para a disputa municipal.

 

A proposta de Kassab é indicar o vice-governador à sucessão municipal em troca de dar apoio à reeleição de Geraldo Alckmin ao governo de São Paulo, em 2014. "Daqui até março, o PSDB e o PSD conversarão bastante sobre eleição municipal e sua relação de longo prazo", afirmou Semeghini.

 

Ao PT, Kassab teria a oferecer o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, como vice na chapa de Fernando Haddad."Eu sempre manifestei que tenho simpatia pelo candidato do presidente Lula e do PT", admitiu Meirelles na segunda-feira, após reunião do PSD. Homem ligado ao setor financeiro e presidente da Associação Viva o Centro, Meirelles é visto como "o José Alencar de Haddad", ou seja, um vice capaz de quebrar resistências em setores em que o PT não atinge. "Mas esse não é o projeto dele", lamentou Kassab.

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