PSDB quer aprovar reformas para fazer oposição

Os governadores do PSDB decidiram, na reunião de hoje com a bancada de deputados federais tucanos, trabalhar para acelerar a aprovação das reformas propostas pelo governo para que, em 2004, ano de eleições municipais, o partido possa cobrar, nos palanques, ações concretas do governo do PT prometidas na campanha presidencial, no ano passado. "A agenda de reformas serve para mascarar a inoperância do governo", afirmou na reunião o governador de Minas, Aécio Neves, segundo relatos de parlamentares presentes. "Vamos superar as reformas para avançar na retomada do poder".Aécio e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, afirmaram em seus discursos que o PSDB ainda é a "única alternativa de poder" no País. A reunião durou quase três horas. Os governadores enfatizaram que o papel de oposição ao governo não poderá ser desempenhado via reformas, mesmo porque seria uma atitude de incoerência do partido, que sempre as defendeu no governo passado. Os governadores pediram, no entanto, apoio dos deputados para agilizar a aprovação das propostas. Eles argumentaram que isso, além de melhorar a situação financeira dos Estados, significará a superação de uma etapa e dará ao PSDB condições para assumir um novo discurso político. "As reformas não são apenas do Lula; nós, governadores, somos co-responsáveis pelas reformas", afirmou o governador de Goiás, Marconi Perillo. disse também que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "não impôs" a agneda das reformas. Perillo reagiu a declarações que deputados federais de seu Estado fizeram antes da reunião de hoje afirmando que a bancada não aceitaria orientação dos governadores nas votações, pois eles não consultaram os parlamentares antes de se comprometerem com o presidente Lula a favor das reformas. "Ninguém veio aqui para tutelar a bancada, viemos para pedir apoio", disse.O governador do Ceará, Lúcio Alcântara, disse que as reformas são urgentes, mas o PSDB precisa ocupar seu espaço no campo oposicionista. Alcântara afirmou que vários programas governamentais na área social estão paralisados, como o projeto Alvorada, criado no governo Fernando Henrique Cardoso. O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, pediu ao partido atenção especial ao dispositivo da reforma previdenciária que prevê a cobrança de contribuição previdenciária dos servidores públicos inativos. Aécio, contestando versão dos que afirmam ter sido prejudicados eleitoralmente por terem apoiado essa proposta durante o governo passado, afirmou que, embora tenha defendido a cobrança da contribuição, não perdeu as eleições para o governo do Estado. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, afirmou que, no futuro, a disputa não será ideológica - será levada em conta a capacidade de gerenciamento.

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