PSDB quer acordos no varejo com PMDB

Objetivo é neutralizar a força de uma eventual arranjo com o PT

Julia Duailibi, O Estadao de S.Paulo

12 Maio 2009 | 00h00

Em resposta às investidas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva junto ao PMDB com vista à eleição presidencial de 2010, o PSDB resolveu apostar nos palanques regionais com peemedebistas como forma de blindar a força de uma eventual união nacional entre PT e PMDB.Enquanto os petistas têm buscado o apoio do PMDB nacionalmente, os tucanos passam a adotar a estratégia do varejo. "Nós trabalhamos nos Estados. Não nacionalmente", afirmou ontem o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), que participou de um seminário sobre políticas sociais organizado pelo partido em João Pessoa, na Paraíba.O governador de Minas, Aécio Neves, um dos pré-candidatos do PSDB à Presidência, fez coro com Guerra e também se disse a favor do fortalecimento das alianças regionais. "As alianças têm de ser encaminhadas regionalmente. A Executiva pode encaminhá-las visando a questão nacional." Na semana passada, o presidente Lula defendeu publicamente a necessidade do apoio do PMDB à candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Lula tem se empenhado pessoalmente, junto a lideranças daquele partido, para que a coligação saia da retórica política e dê força à candidatura petista. Para Guerra, as conversas nos Estados já estão bastante adiantadas. "Nós temos vários pontos de ligação do PMDB que já vêm de antes e estão amadurecendo agora. Há um esforço geral do presidente Lula para evitar isso, mas as circunstâncias locais são muito importantes e elas serão seguramente referências nessa questão do caminho com o PMDB", afirmou o presidente do partido.MADURAOs Estados em que a aliança entre tucanos e PMDB está mais madura são São Paulo, onde o ex-governador Orestes Quércia já fechou posição em torno de uma candidatura à Presidência do governador paulista, José Serra (PSDB), e Pernambuco, no qual o ex-governador e senador Jarbas Vasconcellos é bastante alinhado aos tucanos. Outros Estados em que a negociação não está tão avançada, mas em que há espaço para acordo, são Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. O presidente Lula, por sua vez, tem cortejado os outros peemedebistas, como o presidente da Câmara, Michel Temer, que poderia ser indicado a vice de Dilma. Além de Temer, o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, e o governador do Rio, Sérgio Cabral, que já disse querer concorrer à reeleição, também são nomes do PMDB cotados para o cargo."Estamos trabalhando nas bases locais. Já temos sinergia que vai se aprofundar independentemente da nossa ação, da ação dos governadores. O fato é que estamos tendo avanços em muitas áreas", completou Guerra. AUSÊNCIASerra não participou do encontro, que reuniu cerca de mil militantes. O objetivo era discutir as políticas sociais e, principalmente, segundo os tucanos, tentar reverter a impressão do eleitor nordestino de que o PSDB é contra as políticas de transferência de renda. O governador paulista tinha outro evento em São Paulo. No seu lugar, participou o secretário da Educação, Paulo Renato Souza. "O governador pediu que eu o representasse. Foi com muito pesar que não pôde estar aqui", disse o secretário.

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