PSDB planeja campanha de Serra dividido sobre Tasso

O governador do Ceará, Tasso Jereissati, voltou a dividir os tucanos na primeira reunião de cúpula do PSDB, depois do lançamento da candidatura do ministro José Serra (Saúde) à Presidência da República, em 17 de janeiro. O encontro, com a participação de governadores, ministros e presidentes dos diretórios estaduais do PSDB, serviria para unificar o discurso do partido na corrida presidencial. O motivo da discórdia são declarações de Tasso, feitas em Nova York, e repetidas em Fortaleza, em defesa de um eventual governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Embora rachados em torno das afirmações do governador cearense, os dirigentes do PSDB conseguiram se entender quanto à montagem da agenda da campanha. Ficou decidido que, a partir da pré-convenção que oficializará a candidatura Serra, no dia 24, o senador-candidato começará uma romaria a 300 cidades. A idéia é visitar os maiores colégios eleitorais do País, de forma a que o candidato seja levado a conhecer em detalhes a realidade brasileira. Ficou decidido que Serra ocupará pelo menos a metade dos programas regionais do PSDB no horário gratuito da televisão e do rádio, numa estratégia muito parecida com a de Roseana Sarney, candidata do PFL, que foi superexposta por seu partido nos últimos meses. A primeira participação de Serra deverá ocorrer amanhã, nas inserções que serão veiculadas no Paraná. O candidato ocupará integralmente o programa do dia 6 de março, em horário cedido pelo PMDB. Além de buscar uma aproximação do eleitor em palanques de Norte a Sul, cada viagem do candidato terá uma reunião com líderes políticos de vários partidos e regiões de cada Estado, que terão o papel de divulgadores das idéias do presidenciável tucano. Segundo o presidente do PSDB de São Paulo, deputado estadual Edson Aparecido, a idéia é pôr Serra em contato com os formadores de opinião que irão multiplicar o discurso do candidato, influenciando positivamente os eleitores. A agenda de viagens incluirá, por exemplo, uma nova investida em Alagoas. O próprio Serra está muito interessado em visitar Arapiraca, e rápido, não apenas por ser um dos maiores colégios eleitorais alagoanos. Neste caso, pesa sobretudo o fato de o município ser governado pelo PSDB e de o candidato desfrutar, ali, de uma posição confortável nas pesquisas, à frente de sua adversária do PFL e governadora do Maranhão, Roseana Sarney. Isto sem falar na simbologia da cidade. Afinal, foi lá que, em 1994, o então candidato Fernando Henrique Cardoso vestiu chapéu de couro, subiu em um jegue e deu uma virada na campanha, deslanchando nas pesquisas eleitorais. Serra disse hoje, logo depois da reunião, que a campanha começou muito cedo. Mas prometeu percorrer o País de Norte a Sul, de Leste a Oeste, para verificar tudo o que deu certo no atual governo, o que não deu, o que precisa ser corrigido e o que necessita ser mantido. Serra criticou os aliados que, como o presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), insistem em dizer que o cabeça da chapa governista deve ser o que estiver melhor nas pesquisas em maio. "Se pesquisa decidisse eleição, você cancela a eleição", afirmou. "Paulo Maluf, nesse caso, teria sido governador de São Paulo duas vezes e Luiz Inácio Lula da Silva presidente do Brasil por três vezes". Até a convenção nacional, que deverá ser realizada em junho, em Betim, a direção nacional espera contornar a polêmica em torno de Tasso, que ainda hoje insistiu na tese de que não vê "fantasmas" em torno da vitória eventual do PT na corrida presidencial. O governador explicou que suas referências a Lula, no Fórum Econômico Mundial, foram no sentido de tranqüilizar os investidores estrangeiros. Afinal, argumentou, a situação é muito diferente de dez anos atrás. "Mudou Lula, mudou o PT e mudou o Brasil." Mas o ministro da Educação, Paulo Renato, que coordenou o programa de governo de Fernando Henrique, não se conforma com as comparações entre o projeto petista e o da social democracia. "O programa do PT não é o mesmo do PSDB", disse o ministro, ao frisar que a eventual vitória de Lula é, sim, motivo de preocupação, porque "o rumo é outro e a estabilidade estaria comprometida". Paulo Renato também discordou da tese de que o PSDB poderia abrir mão de indicar o cabeça de chapa na disputa presidencial, para manter a aliança com o PFL de Roseana. "Serra é o candidato do PSDB, e ponto final", disse o ministro, com o apoio, entre outros, do tesoureiro do partido, deputado Sebastião Madeira (MA). Mas foi criticado pelo governador do Mato Grosso, Dante de Oliveira, que considerou suas críticas a Tasso "desastrosas". Para Dante, Tasso seria motivo de preocupação se tivesse dito o contrário do que disse, colocando o PT como ameaça à democracia e à estabilidade, no Fórum Mundial.

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