André Dusek
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PSDB pedirá investigação de jatinho de empresário ligado ao PT

Diretório estadual da sigla em Minas informou que vai apresentar queixa-crime na Procuradoria Regional Eleitoral

Suzana Inhesta, correspondente, O Estado de S. Paulo

01 de junho de 2015 | 16h42

Belo Horizonte - O diretório estadual do PSDB em Minas Gerais informou nesta segunda-feira, 1, por meio de nota, que apresentará notícia crime à Procuradoria Regional Eleitoral do Estado para apurar o uso da aeronave apreendida na Operação Acrônimo, da Polícia Federal, em favor da campanha eleitoral do governador Fernando Pimentel (PT). "Será solicitado, ainda, as rotas de voos (data, horário e local da saída e chegada) e a lista de passageiros para cada trecho de voo realizado pela aeronave bimotor turboélice prefixo PR-PEG, ao longo do período eleitoral de 2014, mediante intimação das empresas que administram hangar nos aeroportos da Pampulha e Carlos Prates, em Belo Horizonte, no Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, e no Aeroporto Internacional de Brasília, bem como intimação da ANAC/INFRAERO além da oitiva dos envolvidos", diz o partido, no comunicado. 

O dono da aeronave é o empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, o Bené, colaborador de campanhas do PT. Em outubro de 2014, Bené foi detido com R$ 116 mil em dinheiro vivo quando chegou a Brasília vindo de Belo Horizonte. O ato motivou a investigação da PF, deflagrada na semana passada, e levantou a suspeita de um esquema de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro. Foram detidos, além de Bené, outras quatro pessoas. 

Agentes da PF também fizeram buscas num apartamento da esposa de Pimentel, Carolina Pimentel, localizado na Asa Sul, em Brasília, com base em suspeita de que a empresa dela, Oli Comunicação e Imagens, seja "fantasma", o que está sendo negado pela defesa da primeira-dama do Estado e pelo governador que concedeu coletiva neste último sábado (30). Outros alvos foram dois imóveis, em Belo Horizonte, do ex-deputado Virgílio Guimarães (PT-MG), aliado de Pimentel. O advogado de Carolina, Pierpaolo Bottini, informou ao Broadcast Político que os documentos que comprovam a inocência da esposa de Pimentel seriam entregues ao juiz da investigação na tarde desta segunda-feira, 1º. 

Cassação. O PSDB-MG também lembrou, na nota, que a campanha do petista gastou R$ 10,170 milhões além do limite permitido, que já teve aplicação de multa em quase R$ 51 milhões, com desaprovação de contas pelo tribunal e pedido de cassação do mandato de Pimentel pela Procuradoria Regional Eleitoral de Minas. O processo está sendo apreciado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília.

O diretório estadual do PSDB mineiro informou ainda que já tinha apresentado ao MP um pedido de investigação referente à utilização de aviões e helicópteros na campanha, que apontariam "a prática de caixa dois, já que aeronaves utilizadas não constam na declaração" e que Pimentel também responde a uma ação do partido de cassação "em razão da utilização política dos Correios na campanha eleitoral". O diretório estadual do PSDB acusou a campanha de Pimentel de entregar correspondência postada pelo partido em Minas. 

"A essas graves irregularidades, soma-se agora, uma planilha apreendida pela Policia Federal que atesta, ao que tudo indica, a contabilidade de caixa dois da campanha petista no Estado e o possível uso de empresas de fachada que receberam recursos públicos desviados para campanhas do partido", ressaltou o PSDB, na nota. Procurado, o diretório estadual do PT em Minas disse que não irá se pronunciar sobre a ação do PSDB. 

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