ANDRE DUSEK/ESTADÃO
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PSDB orientou voto contra veto de reajuste do Bolsa Família, mas ajudou a mantê-lo

Proposta de revisão havia sido feita pelo presidente do partido, Aécio Neves durante gestão de Dilma; Ciente de que a derrubada poderia prejudicar as contas do governo federal, no entanto, tucanos sequer pediram destaque na votação desta terça-feira

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2016 | 18h14

BRASÍLIA - Embora tenha oficialmente orientado seus parlamentares a votarem pela derrubada do veto da presidente afastada Dilma Rousseff ao reajuste do Bolsa Família pelo índice oficial de inflação medido pelo IPCA , o PSDB contribuiu para, nos bastidores, mantê-lo.

Ciente de que a derrubada poderia prejudicar as contas do governo federal, agora comandado interinamente por Michel Temer, os tucanos sequer pediram destaque na votação desta terça-feira, 24. O pedido de destaque obrigaria uma votação nominal do veto, o que aumentaria as chances de ele acabar derrubado.

A proposta de reajuste do Bolsa Família pelo IPCA havia sido proposta pelo presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), por meio de uma emenda à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2016. A emenda chegou a ser aprovada pelo Congresso Nacional, mas acabou vetada por Dilma.

Na justificativa, a petista alegou que o texto aprovado pelos deputados e senadores não trazia previsão de verba para que o Bolsa Família passasse a ser reajustado pelo IPCA. Disse ainda que, se sancionado, o reajuste pelo índice oficial de inflação implicaria "necessariamente" no desligamento de beneficiários do programa.

Na época, Aécio criticou o veto. "Um reajuste de 11,6% do Bolsa Família (valor médio acumulado do IPCA entre maio de 2014 e dezembro de 2015) teria impacto de cerca R$ 3 bilhões. Mesmo na atual situação de grave crise, esse não é um valor que iria gerar maiores problemas, sobretudo se se avaliasse seu impacto social", disse.

Na votação do veto nesta terça-feira, porém, Aécio demonstrou desconforto com o tema. Em rápida entrevista, limitou-se a dizer que sua assessoria técnica considerou que "não valeria a pena" destacar o veto, cuja manutenção é defendida pelo governo Michel Temer. Na avaliação do Planalto, o reajuste pelo IPCA aumentaria as despesas da União.

Em reservado, parlamentares tucanos reconheciam que a manutenção do veto tinha potencial de prejudicar o governo Temer, no qual o PSDB possui três ministérios. Ponderaram, contudo, que, por ter apresentado a emenda que acabou vetada por Dilma, o PSDB não tinha como orientar oficialmente voto pela manutenção do veto.

Por isso, a estratégia encontrada pelos parlamentares tucanos foi não pedir destaque na votação. Caso tivessem pedido, o veto teria de ser votado nominalmente, aumentando as chances de ele acabar sendo derrubado. Sem o pedido, o veto acabou mantido na votação e apenas resultado geral foi divulgado.

Em nota, a liderança do PSDB na Câmara afirmou que não existe "qualquer desconforto" de Aécio em relação à emenda que foi vetada e cujo veto foi mantido. A assessoria da bancada tucana na Casa disse ainda que não pediu a votação nominal do veto por "economia de tempo". "O líder e o PSDB preferiram priorizar a votação da meta fiscal, fundamental para o governo Temer e que só ocorrerá após o fim da votação dos vetos", informou.

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