PSDB não vai recuar por aliança com PMDB, diz líder tucano

Tanto PT como PSDB querem aliança com PMDB para 2010, mas Virgílio nega recuo em pedir saída de Sarney

CAROL PIRES, Agencia Estado

31 de julho de 2009 | 11h54

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), disse nesta sexta-feira, 31, que o partido não irá recuar na pressão pela saída de José Sarney (PMDB-AP) da presidência do Senado por receio de prejudicar uma possível aliança com o PMDB nas eleições de 2010. "Não há esse risco (do partido desistir das acusações contra Sarney). Se houvesse, sairia do PSDB", afirmou. O PMDB é o partido com o maior número de votos e prefeituras conquistadas nas eleições municipais de 2008, e, por isso, tanto o PT e quanto o PSDB tentam formar uma aliança nacional com os peemedebistas de olho na sucessão presidencial.

 

Veja também:

especialESPECIAL: a trajetória de José Sarney

lista Confira a lista dos 663 atos secretos do Senado

especialESPECIAL MULTIMÍDIA: Entenda os atos secretos e confira as análises

lista O ESTADO DE S. PAULO: Senado acumula mais de 300 atos secretos

lista O ESTADO DE S. PAULO: Neto de Sarney agencia crédito no Senado 

linkVirgílio:' Ameaça do PMDB é conversa de mafioso'

Virgílio reafirmou que o partido está disposto a apresentar ao Conselho de Ética uma representação contra o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), por quebra de decoro parlamentar. Virgílio avalia que Renan feriu o decoro ao ameaçar que o denunciaria ao colegiado caso o PSDB insistisse em pressionar pela saída de Sarney do comando do Senado.

Como o PSDB apresentou três representações ao Conselho de Ética contra Sarney por quebra de decoro parlamentar, mesmo depois dos apelos de Renan para que a legenda não "radicalizasse" a situação, o PMDB anunciou uma guerra contra os tucanos e informou que também registrará representação contra Arthur Virgílio por quebra de decoro parlamentar na próxima semana.

"Imaginar que bandidos como estes vão me mandar flores e bombons só pode ser duas opções: uma, que eles ficaram loucos, ou duas, que tem veneno no bombom. Não posso esperar flores dessa gente", ironizou Virgílio, ao comentar as denúncias que o PMDB apresentará contra ele. "Estou pronto. Homens públicos que não sabem enfrentar as vicissitudes não são homens públicos", disse o líder tucano.

Denúncias

As ações ao Conselho de Ética que o PMDB prepara contra Virgílio serão embasadas em reportagem da revista "Isto É", que revelou que o tucano teria pego, em 2003, US$ 10 mil emprestados do ex-diretor do Senado Agaciel Maia quando teve problemas com seu cartão de crédito em uma viagem particular a Paris. Segundo a revista, o senador tucano teria ainda extrapolado o limite permitido pela Casa para usar em tratamentos de saúde, quando a mãe dele ficou adoentada.

Também pesa contra o senador a revelação de que um funcionário de seu gabinete passou 18 meses no exterior sendo mantido à custa do Senado. Virgílio devolverá R$ 210.696,58 aos cofres públicos, valor referente à soma de salários e recolhimento de impostos que saíram das contas da Casa. Ontem, Virgílio disse que errou ao deixar que o funcionário viajasse sem se certificar se o salário havia sido cortado. "Não foi uma coisa correta, eu já estou devolvendo o dinheiro. Eu pedi para devolver. Mas Renan e Sarney não têm condições morais de cassar o meu mandato. É de morrer de rir. Isto é humor negro."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.