'PSDB não pode repetir o xiitismo do PT do passado', diz Perillo sobre votação por pautas-bombas

Governador de Goiás criticou posição da bancada tucana na Câmara, que votou pela derrubada dos vetos presidenciais na sessão de ontem no Congresso

Ana Fernandes, O Estado de S.Paulo

18 Novembro 2015 | 17h11

O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), criticou nesta quarta-feira, 18, a posição da bancada do seu partido de votar pelas chamadas pautas-bombas na Câmara de Deputados. "Com todo respeito à bancada, acho que é um equívoco, devemos votar a favor de tudo que seja bom para o País e votar a favor de pautas-bombas é muito ruim para o equilíbrio que a gente quer", disse pouco antes de participar de um evento sobre competitividade dos Estados na capital paulista.

"O PSDB não pode repetir o 'xiitismo' do PT do passado. O PSDB precisa colaborar com o País, independentemente de quem esteja no governo. Somos oposição, mas não somos oposição ao Brasil", afirmou. Assim como já havia feito o governador paulista Geraldo Alckmin ao sair do mesmo evento, Perillo também condenou a votação massiva da bancada do PSDB ontem em Brasília pela derrubada ao veto do reajuste do Judiciário. O único deputado a votar pela manutenção do veto foi Samuel Moreira (SP). Os outros 56 deputados tucanos que votaram se posicionaram pela derrubada. Apesar da posição do PSDB, o governo conseguiu manter o veto.

O veto da presidente Dilma Rousseff barrou um aumento de 59,5% aos servidores do poder Judiciário, que seria dado entre 2015 e 2017. Segundo o governo, a medida teria um impacto para os cofres públicos de R$ 16 bilhões entre 2015 e 2019, prejudicando o esforço fiscal.

"Quanto mais o PSDB demonstrar que está trabalhando racionalmente a favor do Brasil, pelo ajuste, pelo equilíbrio fiscal, mais as pessoas vão nos respeitar", defendeu Perillo.

Ajuste em Goiás. Em Goiás, o governador também passa pela necessidade de impor uma agenda de ajustes, como acontece na maioria dos Estados brasileiros. Desde o fim de 2014 - Perillo foi reeleito - ele destaca o esforço de cortar seis secretarias, passando a 10 o número de pastas, 5 mil cargos comissionados e 5 mil funcionários temporários. Ainda assim, o orçamento do ano precisou ser revisto por causa da frustração de receitas.

Segundo Perillo, seu governo conseguiu cortar quase R$ 3 bilhões em gastos em 2015 e ainda assim deve fechar o ano com R$ 400 milhões de déficit fiscal.

O governador lamenta o quadro econômico atual e defende a necessidade de um pacto pela realização de reformas estruturantes no País. "O governo federal e o Congresso Nacional precisam se entender, isso é fundamental para o Brasil, que os ajustes sejam aprovados. Estamos fazendo ajustes fortes em todos os Estados, mas eles são insuficientes em relação à agenda macroeconômica", afirma Perillo. "Defendo que haja um entendimento nacional e que a agenda das reformas seja aprovada."

Impeachment. O governador tucano não defende o afastamento da presidente Dilma Rousseff e não vê o impeachment como solução para a crise econômica do País. "Ela é a presidente da República", respondeu Perillo ao ser questionado sobre a credibilidade de Dilma para promover as reformas necessárias.

Perillo repetiu que nunca defendeu o impeachment e avaliou que, com o afastamento do PSDB do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a tese de tentar tirar Dilma do governo perde força no partido. Ainda assim, ele alega que não cabe a ele, como governador, entrar nessa disputa. "Defendo que governo não faça oposição a governo. Quem tem que analisar se ela deve continuar ou não é a Justiça Eleitoral, o Supremo Tribunal Federal e o Congresso Nacional."

Em julho, Perillo afirmou publicamente que "jamais participaria de qualquer atitude golpista". Em março, ele foi criticado por integrantes do partido por fazer declarações de apoio a Dilma em um evento em Goiás ao lado da presidente. "Sou de um partido que faz oposição à senhora, mas eu não. Nunca ninguém ouviu uma palavra minha que não fosse de reconhecimento e agradecimento pelo que a senhora fez por Goiás", disse naquela ocasião.

Questionado pela posição polêmica, Perillo defendeu o direito de expressar suas posições. "Houve uma ou outra crítica no partido, mas o partido sempre me respeitou. Tenho seis mandatos, cinco deles em cargos majoritários, jamais aceitaria qualquer tipo de policiamento em relação à minha opinião. Defendi que ela foi eleita democraticamente assim como eu fui."

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.