Werther Santana|Estadão
Werther Santana|Estadão

'PSDB não é beneficiário do impeachment', diz Aécio

Presidente-nacional do partido afirmou que participação seria com 'integral apoio político' e 'credibilidade' para apoiar uma agenda emergencial para o País

Isabela Bonfim, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2016 | 18h14

BRASÍLIA - O presidente nacional do PSDB, Aécio Neves (MG), afirmou nesta terça-feira, 22, que o PSDB não tem benefícios com um eventual impeachment. "Não é o PSDB o beneficiário disso. Ao contrário, quem eventualmente assumirá o governo é quem participou deste governo até aqui", disse em referência ao PMDB.

O tucano afastou a possibilidade de o PSDB participar de um eventual governo Michel Temer, ocupando cargos, diferentemente do que demonstrou José Serra (PSDB-SP) em entrevista ao Estadão publicada nesta segunda-feira. Segundo ele, o partido não fugirá de sua responsabilidade e ajudará a elaborar uma "agenda emergencial" para reconstruir o País.

Aécio contou ter encontrado um vice-presidente "muito sereno e consciente do seu papel nesse instante" para longa "conversa republicana em que avaliamos os cenários que estão à nossa frente".

"No meu sentimento, falo como presidente do partido, a nossa contribuição não é ocupando cargos num eventual futuro governo, é dando nosso integral apoio político e usando da credibilidade que dispomos com setores da sociedade para apoiar uma agenda emergencial para o Brasil", disse o presidente-nacional do PSDB.

Quanto a entrevista que José Serra concedeu ao Estadão, sugerindo possível atuação na equipe econômica de um governo Temer, Aécio afirmou que esta é uma "opinião pessoal" do senador e que ele tem direito a exprimi-la.

Renan Calheiros. Aécio também demonstrou otimismo com o encaminhamento do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Segundo ele, há expectativa de que o processo tramite rapidamente pela Câmara e venha a ser aprovado também pelo Senado. Mas o tucano fez, novamente, críticas às posições do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

"Nós percebemos que a base do PMDB avança numa velocidade maior que o presidente do Senado. Ele tem sido cauteloso. Mas do que conheço do senador Renan, ele não ficará contra uma posição que seja majoritária de seu partido", afirmou Aécio.

Pouco antes, Renan deu declarações relembrando que, ainda que autorizado pela Câmara, o processo de impeachment é avaliado pelo presidente do Senado. Ele também condenou a possibilidade de impeachment sem caracterização de crime de responsabilidade. "Quando o impeachment acontece sem essa caracterização, o nome sinceramente não é impeachment, é outro nome", disse Renan.

Logo em seguida, o presidente do Senado se encontrou com o líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), e com o também peemedebista Marcelo Castro, ministro da Saúde. Ambos fazem parte da ala mais governista do partido.

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