PSDB na Câmara retira apoio à CPMF e complica vida do governo

O PSDB na Câmara resolveu retirar oapoio à prorrogação da CPMF. A decisão, tomada pela maioria dabancada nesta terça-feira, surpreendeu o governo e aumentou ogrupo político que atua contra a cobrança. A tendência é de quea bancada tucana no Senado acompanhe a decisão. "Como o governo não aceita negociar redução da cargatributária, e considerando o excesso de arrecadação federalprevisto em 60 bilhões de reais, a maioria dos deputadosdecidiu votar contra a CPMF", afirmou à Reuters o líder tucano,deputado Antonio Carlos Pannunzio (SP). Na oposição, apenas o partido Democratas tinha se colocadocontra a matéria. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) daCâmara havia aprovado a prorrogação, proposta pelo Palácio doPlanalto, com os votos favoráveis do PSDB. A questão está agorana comissão especial da Câmara. Naquela ocasião, o cenário econômico era o mesmo e, apesardisso, os tucanos avaliaram que a melhor opção era estender acobrança por mais quatro anos. A sugestão inicial era garantira manutenção da regra, com redução gradual da alíquota e apartilha de recursos nos Estados. Se a decisão da bancada se transformar em resoluçãopartidária, hipótese considerada possível por Pannunzio, ogoverno terá muita dificuldade em aprovar a PEC da CPMF noSenado, onde o jogo político é mais equilibrado e o ambienteestá contaminado pelo caso Renan Calheiros. "Acabei de sair de uma reunião com o presidente TassoJereissati e com o líder do Senado (Artur Virgílio), comuniqueinossa decisão na Câmara e, pela conversa que se seguiu, aposição da bancada no Senado vai na mesma direção que a nossa",disse Pannunzio "Agora, a soma começa a ficar perigosa para o governo. Comesse novo posicionamento do PSDB, o governo não faz maismaioria constitucional no Senado", avaliou o deputado PauloBornhausen (DEM-SC), idealizador do movimento "Xô CMPF," que setransformou na principal bandeira do Democratas desde o iníciode sua reformulação política, no ano passado. Para aprovar uma proposta de emenda constitucional sãonecessários 49 votos favoráveis dos 81 senadores. PSDB e DEMjuntos têm 30 votos. A oposição conta ainda com o voto do PSOLe de pelo menos dois peemedebistas: Jarbas Vasconcelos (PE) eMão Santa (PI). A aprovação também não é consenso na basealiada, o que pode dificultar a tarefa do governo. "(A não aprovação da CPMF) seria uma tragédia", disse maiscedo o ministro da Fazenda, Guido Mantega. "Isso vai quebrar oEstado brasileiro", acrescentou. A CPMF foi instituída no governo Fernando Henrique Cardosocom o apoio do PFL (atual Democratas) e sob protestos do PT,hoje defensor da cobrança.

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