PSDB mantém racha apesar de candidatura Alckmin, diz analista

Para Marco Antonio Teixeira, acordo do PSDB serviu apenas para tirar 'racha' da agenda política

Andréia Sadi, do estadao.com.br,

25 de junho de 2008 | 00h14

O acordo que levou à homologação de Geraldo Alckmin como candidato do PSDB e tirou Gilberto Kassab da disputa no último domingo não eliminou o "racha" interno do partido, segundo análise do cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas Marco Antonio Teixeira. Para ele, o acordo na véspera da convenção tucana foi uma estratégia para "a platéia". "O acordo serviu apenas para tirar o racha da agenda política, da imprensa. E dá impressão de que o PSDB está marchando coeso, mas na realidade, isso dificilmente vai acontecer", disse em entrevista ao estadao.com.br.  Veja também: Ouça análise do cientista político   Guia do eleitor esclarece dúvidas sobre o pleito   Calendário eleitoral Um acordo fechado a menos de 12 horas da convenção do PSDB no último domingo pôs fim à disputa dentro do partido entre os alckmistas e os kassabistas (tucanos que queriam fechar apoio ao atual prefeito). Prevaleceu a chapa de Alckmin, que foi lançado candidato único com apoio unânime do PSDB. Isso só foi possível porque, no sábado, o grupo de tucanos pró-Kassab concordou em retirar a chapa que pedia o apoio à reeleição do prefeito. O analista disse também que o nome de Kassab como candidato dos dois partidos interessava também ao "projeto" do governador de São Paulo, José Serra, que não quer perder a aliança histórica do PSDB e DEM de olho nas eleições presidenciais de 2010.  "Até a noite de sábado, véspera da convenção, o PSDB estava em luta ensandecida para saber se teria candidatura própria ou se marcharia em aliança junto com o Kassab, que interessava diretamente ao Serra porque o projeto dele não é partidário, é o projeto de presidência em 2010", disse. Teixeira acredita que apenas um dos candidatos chegará ao segundo turno porque têm a mesma plataforma política. "Eu não acredito que há espaço para os dois no segundo turno: ou passa o Alckmin ou Kassab". E aponta para o risco de um embate entre o tucano e o atual prefeito: "Alckmin e Kassab disputam o mesmo eleitorado, nada garante que a relação entre as duas candidaturas será preservada. Esse tempo curto de campanha vai nos mostrar. Precisa ver como vai ser a convivência", finalizou.

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