PSDB mantém determinação de criar CPI contra Palocci, diz Dias

Líder tucano no Senado afirma faltar nove assinaturas para abrir investigação sobre ministro

Rosa Costa, de O Estado de S. Paulo

27 de maio de 2011 | 17h03

Mesmo com a retirada da assinatura do senador Clésio Andrade (PR-MG) do requerimento de criação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar as atividades do ministro chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, como consultor, o líder do PSDB, senador Álvaro Dias (PR), acredita que a oposição conseguirá realizar a investigação. Dias informa que tem 18 assinaturas, 9 menos do que o necessário para criar a CPI. Mas diz confiar no "poder das circunstâncias" que, na sua opinião, convencerá até mesmo os aliados do Planalto a apoiar a comissão.

"Alguns senadores condicionaram a assinatura à resposta que o ministro Palocci dará ao Ministério Público. Eles pediram que aguardemos as explicações do ministro, e se elas não forem convincentes, teremos como criar a CPI", afirma. No caso de faltar assinatura na Câmara, o líder tucano prevê que a comissão poderá deixar de ser mista, realizando-se apenas no Senado.

Para o senador, a iniciativa do Ministério Público Federal do Distrito Federal de instaurar procedimento investigatório para apurar o suposto enriquecimento de Palocci reforça a necessidade da CPI. "Significa que o Ministério Público considera que os indícios são sérios e as denúncias consistentes, além de mostrar que há fato relevante", alega.

Dias chamou de "invasão de competência" a iniciativa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de intervir a favor de Palocci. "É uma situação de gravidade, porque mostra que a presidente nada fez. Ela ficou reclusa durante um período, não se pronunciou nem adotou nenhuma providência. Foi necessário o ex-presidente vir a Brasília", lembra.

"E quanto ela aparece, em vez de dizer a Palocci que vá ao Congresso ou afastá-lo até que tenha informações cabais sobre as denúncias, ela adotou a estratégia de blindagem. Se os ilícitos se confirmarem, Dilma Rousseff se tornará cúmplice", afirmou. Para o líder, a situação "é muito complicada". "De um lado, a divisão de poder entre a presidente e o ex-presidente, e do outro, a apatia inicial e depois as declarações equivocadas para blindar Palocci e não para adotar providências", disse.

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