PSDB joga tudo para ter Serra na disputa à Prefeitura de SP

A constatação de que o partido chegaria fraco e dividido à disputa eleitoral de outubro está redirecionando o vento no PSDB e operando para fechar o partido em torno da candidatura de José Serra à Prefeitura de São Paulo, o que pode se concretizar durante esta semana. O fato de não ter candidatos nas principais capitais brasileiras - Rio, Belo Horizonte, Porto Alegre, Fortaleza, Recife e Salvador - fez com que o partido se convencesse de que tem de disputar em São Paulo com força máxima. O calendário do partido ajuda o PSDB a tomar uma decisão: a prévia para escolher o candidato em São Paulo está marcada para domingo e há consenso em que o partido não pode chegar lá com a divisão interna hoje posta - três candidatos que hostilizam abertamente o candidato virtual do governador Geraldo Alckmin, o secretário de Segurança Saulo Abreu, que, por sua vez, não convenceu o partido de que pode ter um bom desempenho. SinaSerra sempre resistiu à candidatura porque sonha concorrer ao governo estadual em 2006. Mas nas últimas semanas uma boa sina contribuiu para limpar seu caminho. O primeiro fator favorável foram as novas denúncias contra Paulo Maluf - pesquisas de opinião mostram que Serra é o privilegiado herdeiro da maioria dos votos potenciais de Maluf, em caso de sua canditatura ficar inviável. O segundo foi que o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC) já operou a situação interna do partido para acomodar a candidatura-estepe de José Aristodemo Pinotti à Prefeitura, lançada na sexta-feira. A ação de Bornhausen, na verdade, atenderia a uma estratégia: Pinotti, na verdade, seria candidato a vice na chapa de Serra. O terceiro fator foi que o PMDB namorou muito o PT mas acabou fora da chapa petista, o que abre caminho para o PSDB conquistar, pelo menos, uma aliança com um segmento do partido. ConsultasSerra tem consultado setores do partido - esteve em Belo Horizonte na sexta, em Vitória no sábado e passou o domingo em São Paulo ouvindo líderes. Nos últimos dias escutou um rosário de apelos - e o mais candente deles foi que, sem ele, as chances do PSDB em São Paulo ficam nas mãos de Deus. Outro apelo repetido foi que só ele pode impedir a prévia e o conseqüente racha do PSDB paulista, pacificando e unindo o partido, dando-lhe força para disputar com chances reais de vitória uma eleição que terá caráter claramente plebiscitário. Ele tem ouvido muito também que líderes expressivos do PSDB não conseguem entender como o principal partido de oposição ao governo não conseguiu estruturar candidaturas a prefeito nas principais capitais brasileiras, à exceção de São Paulo, nem mesmo naquelas em que o partido ocupa o governo estadual, como Belo Horizonte e Fortaleza. Para completar, esta semana o maior líder do PSDB, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, vai dizer francamente a Serra que hoje o futuro do partido passa por sua candidatura à Prefeitura.

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