PSDB insistirá em 'quebra de contratos'

Atrás nas pesquisas de intenção de voto, a campanha de José Serra (PSDB) à Prefeitura passou a investir no discurso segundo o qual o petista Fernando Haddad, se eleito, vai acabar com o sistema de Atendimento Médico Ambulatorial (AMA), uma das principais bandeiras dos tucanos e da gestão de Gilberto Kassab (PSD).

BRUNO BOGHOSSIAN E FERNANDO GALLO, Agência Estado

19 de outubro de 2012 | 08h57

Além do discurso do candidato tucano - que explorou o assunto na quinta-feira (18) no debate da TV Bandeirantes -, o "fim das AMAs" é usado pelo comitê tucano massivamente na internet. O objetivo do comitê serrista é tentar colar no PT, nesta reta final da campanha, a intenção de extinguir a gestão de unidades de saúde por Organizações Sociais (OS) - entidades privadas que firmam convênios com a administração municipal para gerenciar as amas.

O PT é um crítico histórico do modelo de OS adotado no Estado e na cidade de São Paulo, Haddad, porém, nega que vá acabar com as parcerias e diz que manterá os contratos das organizações.

Pelo sistema de parcerias, a administração deixa de cuidar diretamente das unidades de saúde e repassa dinheiro para que entidades privadas façam o serviço. Há várias investigações no Tribunal de Contas do Município a respeito da má utilização dos recursos pelas organizações. Por outro lado, pesquisas indicam que unidades administradas pelas OS são bem avaliadas pela população.

A equipe tucana divulgou na internet na quinta-feira (18) mensagens em que afirma que a proposta de Haddad de criar a Rede Hora Certa vai "acabar com as AMAs e fazer São Paulo retroceder ao caos dos tempos do PT". O texto foi publicado no site oficial do tucano, na página de sua campanha no Facebook e em sua conta no Twitter.

"Quem você escolheria para cuidar da saúde em São Paulo? O maior ministro da Saúde que o Brasil já teve ou o pior ministro da Educação de todos os tempos?", escreveu a campanha do PSDB.

Ao usar o exemplo concreto das AMAs no debate sobre a gestão pública por OS, os tucanos tentam aproximar o tema do eleitorado, que poderia não entender o modelo de administração.

O programa de governo petista prevê, na página 45, "retomar, sem prejuízo dos condicionantes contratuais legais e após providências administrativas necessárias, a direção pública da gestão regional e microrregional do sistema municipal de saúde". Os tucanos sustentam que este tópico indica a intenção de encerrar todos os convênios com OS.

Os petistas afirmam que pretendem manter as AMAs e integrá-las às novas unidades da Rede Hora Certa - centros de atendimento e diagnóstico que seriam construídos em cada região da cidade. Sobre as OS, dizem que todos os contratos serão mantidos e que as parcerias só serão revistas após o fim de cada convênio.

?Falso?

Haddad afirmou na quinta-feira (18) que a informação propagada pelos tucanos é "falsa" e que Serra tenta "confundir a opinião pública". "Deixando claríssimo: sou a favor de parcerias na área da saúde, como sou na área de educação. O ProUni é uma parceria público-privada", afirmou Haddad. "Incluí no fundo de financiamento da educação as creches conveniadas e as escolas especiais particulares. Como posso ser contra a parceria público-privada? Jamais serei. Na área da saúde tampouco. Manterei os contratos." As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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