Alexssandro Loyola/PSDB
Alexssandro Loyola/PSDB

PSDB inicia processo de expulsão de deputado ‘governista’

Executiva do partido decide levar caso de Celso Sabino ao Conselho de Ética após parlamentar ser indicado pelo Centrão ao cargo de líder da maioria na Câmara

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2020 | 16h38
Atualizado 20 de agosto de 2020 | 18h48

A Executiva Nacional do PSDB deu mais passo nesta quinta-feira, 20, para expulsar o deputado federal Celso Sabino (PA), que foi escolhido pelo Centrão para ocupar o cargo de líder da maioria na Câmara. Por 25 votos a 4 (e 3 abstenções), a direção tucana decidiu encaminhar ao Conselho de Ética a representação contra o parlamentar. O relator do processo será o ex-senador e ex-presidente nacional do partido José Aníbal.

A representação foi feita pelo presidente do PSDB, Bruno Araújo, e pede a expulsão de Sabino por violação ao estatuto e à ética partidária devido ao convite para o cargo “sem qualquer discussão prévia com lideranças nacionais e da bancada”.

Na reunião, houve uma tentativa de acordo: a representação não seria feita se Sabino declinasse oficialmente do convite para o cargo, o que não foi aceito pelo deputado. A votação pela admissibilidade ou não do processo foi, então, levada adiante. O integrantes da executiva disseram que o PSDB não faz parte do governo Bolsonaro e que não é pertinente, portanto, que um de seus membros assuma a liderança do bloco de maioria governista.

Segundo a representação, o comportamento do deputado fere o parágrafo 1º do artigo 49 do Estatuto, segundo o qual, “os integrantes das bancadas nas Casas Legislativas deverão subordinar sua ação parlamentar aos princípios doutrinários e programáticos e às diretrizes estabelecidos pelos órgãos de direção partidários”.

O processo foi deflagrado no momento em que a sigla decidiu também “reavaliar” a presença do senador tucano Izalci Lucas (DF) no cargo de vice-líder do governo no Senado.

Deputado é aliado de Aécio Neves

Sabino é o principal aliado do deputado Aécio Neves na bancada do PSDB da Câmara. Em caráter reservado, três integrantes da executiva ouvidos pela reportagem disseram que Aécio atuou com o Centrão pela indicação do deputado ao cargo governista, e no PSDB para evitar a expulsão.

O parlamentar foi o autor do relatório que rejeitou a expulsão de Aécio da legenda, em agosto do ano passado, e disputou a liderança da bancada com apoio do ex-presidenciável.

Em nota, Aécio disse que foi contra o envio da representação de Sabino ao conselho de Ética do partido porque, segundo ele, “não há previsão estatutária para tal”. Ele defende ainda que o PSDB defina “quais são os limites da sua relação com o governo Bolsonaro.”

“É preciso que haja regras que valham para todos, sob risco de ficarmos vivendo a permanente contradição de um partido que quer punir um membro pelo simples fato de ter recebido um convite para assumir um posto na Câmara, enquanto outros continuam participando com cargos no governo”, diz Aécio, que tem afirmado que defende a independência do PSDB em relação ao governo, sem cargos.

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