PSDB evita comentar ataques de ACM

O presidente Fernando Henrique Cardoso e os líderes tucanos no Congresso evitaram nesta quarta-feira comentar os ataques do ex-senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), de que o ex-secretário-geral da Presidência da República Eduardo Jorge Caldas Pereira comandava o esquema de captação de recursos para a campanha eleitoral.Foi o presidente nacional do PMDB, senador Maguito Vilela (GO) - que apesar de se portar como um opositor do Planalto em algumas questões -, quem saiu em defesa de Fernando Henrique."Se ele (ACM) tem nomes de pessoas que deram dinheiro para a campanha, por intermédio de Eduardo Jorge, não deveria só ameaçar, mas os denunciar para que as suas acusações sejam consistentes. Caso contrário, essas acusações são ineficazes", disse Vilela, depois de alegar que todo ataque, para ter veracidade, tem de vir acompanhado de provas. O bancada pefelista baiana no Senado, ligada ao senador Antônio Carlos Júnior (PFL-BA), filho de ACM, também evitou fazer qualquer comentário. "Não falo sobre isso", resumiu o senador Paulo Souto (PFL-BA). "Não vou comentar", encerrou Júnior. O presidente nacional do PSDB, deputado José Aníbal (SP), preferiu usar a tática do bateu-levou, para responder ao ex-senador. "Disso (fundo de campanha), ele entende muito melhor do que o presidente Fernando Henrique", declarou Aníbal.O adversário político de ACM, deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), líder do partido na Câmara, menosprezou as declarações, alegando que só comentava "coisas sérias". A oposição, no entanto, criticou o ex-presidente do Senado. "Se ele acredita tanto nisso, era só mandar os três baianos assinarem a CPI (comissão parlamentar de inquérito) da corrupção porque, nela, está incluída a investigação sobre a atuação de Eduardo Jorge", afirmou o líder do Bloco Oposição, senador José Eduardo Dutra (SE)."Fazer discurso e não agir é muito fácil. Ele deveria fazer o discurso e viabilizar a CPI", acrescentou Dutra. O vice-líder do PFL na Câmara, Pauderney Avelino (AM), mostrou-se "espantado" com as declarações de ACM. "Antonio Carlos resolveu fazer uma linha agora de independência do partido e escolheu, justamente, o presidente Fernando Henrique como Cristo."Ele acrescentou: "Eu não seria leviano de afirmar isso sem ter provas e, se ele afirmou, é porque ele (ACM) deve ter provas." O líder do PSDB no Senado, Sérgio Machado (CE), desconversou, ressaltando que o momento é de discutir assuntos importantes para o futuro do País, como encontrar soluções para a questão da energia e da seca.Já o porta-voz do Planalto, Georges Lamazire, limitou-se a dizer que "o presidente não vai comentar as declarações". O senador Geraldo Althoff (PFL-SC), ligado ao senador Jorge Bornhausen (PFL-SC), presidente nacional da legenda, também evitou maiores comentários. "Eles, que são brancos, que se entendam", brincou, depois de reconhecer que eles ficarão trocando farpas ainda por um bom tempo.

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