PSDB ‘esconde’Azeredo e elogia atuação do STF

Em ato tucano, Aécio e Fernando Henrique criticaram o PT e os presos no mensalão; réu no mensalão mineiro, ex-governador não compareceu

José Maria Tomazela e Gustavo Porto, Enviados especiais

18 de novembro de 2013 | 23h01

POÇOS DE CALDAS (MG) - Réu em ação penal do chamado mensalão mineiro, o deputado federal Eduardo Azeredo (MG) não participou nesta segunda-feira, 18, de um evento do PSDB no qual o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o senador Aécio Neves (MG) fizeram duras críticas ao PT e aos petistas presos por envolvimento com o mensalão federal. O evento intitulado "Federação Já", que reuniu em Poços de Caldas, no sul de Minas, oito governadores tucanos e as principais lideranças do PSDB, se transformou num ato de apoio à candidatura de Aécio ao Palácio do Planalto em 2014.

Ex-governador de Minas, ex-presidente nacional do PSDB, Azeredo não compareceu. O atual deputado federal é réu em ação penal no Supremo Tribunal Federal, acusado de envolvimento num esquema de financiamento ilegal de sua campanha à reeleição para o governo mineiro, em 1998.

Azeredo compareceu a eventos recentes do PSDB no Estado. Esteve, por exemplo, no encontro realizado em Uberlândia, em outubro, e na posse do ex-ministro Pimenta da Veiga na secção mineira do Instituto Teotônio Vilela, em agosto.

Nos discursos em Poços de Caldas, Fernando Henrique e Aécio se revezaram nos ataques ao PT e aos condenados no mensalão. "Estamos num momento em que as estruturas políticas perderam a credibilidade porque aqueles que hoje exercem o papel maior na República não souberam honrar com a confiança que o povo depositou neles e transformaram-se em negocistas e, em nome de transformar o Brasil, transformaram suas próprias vidas", disse o ex-presidente. "Hoje vejo que a Justiça começa a se fazer", completou FHC.

Decisão política. Aécio disse que o PSDB não "comemora prisões, o sofrimento de quem quer que seja, por mais radical que seja o adversário". "Porém, lamento que o presidente do PT confunda decisão da Suprema Corte com decisão política", disse, numa referência à afirmação do presidente nacional do PT, Rui Falcão, de que as prisões foram políticas. "Não contribui para a democracia um partido querer transformar esse caso em fato político."

Presidente nacional do PSDB, Aécio, contudo, evitou falar sobre o mensalão mineiro e sobre a ausência de Azeredo no ato. Ao ser perguntado, disse que "a lei vale para todos" e encerrou a entrevista. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, evitou o assunto quando questionado sobre possíveis implicações da prisão dos condenados no mensalão nas ações penais resultantes da denúncia envolvendo a campanha de Azeredo em 1998. "Não é questão político-partidária, é institucional", afirmou.

O Estado não conseguiu contato ontem com Azeredo.

 

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