Dida Sampaio / Estadão
Dida Sampaio / Estadão

Alckmin culpa Lula por 'maior recessão' do País

Em convenção nacional, governador de São Paulo foi eleito para comandar o PSDB; ato em Brasília se transformou em forte apelo por mudanças na Previdência

Anne Warth, Daiene Cardoso, Felipe Frazão e Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2017 | 13h23

BRASÍLIA - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, eleito presidente do PSDB neste sábado, em Brasília, fez críticas enfáticas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao PT, defendeu a reforma da Previdência e acenou ao governo Michel Temer. Alçado para conduzir a sigla após uma crise em torno da sucessão de Aécio Neves (MG) e da permanência na base aliada do peemedebista, Alckmin aproveitou a convenção nacional tucana para apresentar um discurso de candidato ao Palácio do Planalto na eleição de 2018.

Último a discursar no evento, Alckmin culpou Lula pela crise e afirmou que o petista "será condenado nas urnas pela maior recessão de nossa história". "O governo Temer herdou uma situação calamitosa e está trabalhando para sair desse quadro", afirmou. "O atual governo começou a reverter a tragédia econômica em que o País foi colocado."

O novo presidente do PSDB disse ser favorável à agenda de reformas, com destaque para a já aprovada reforma trabalhista e a da Previdência, atualmente em discussão no Congresso (mais informações na pág. A5). A mudança nas regras da aposentadoria, segundo ele, é necessária para não existir "brasileiros de duas classes". No discurso, porém, ele classificou como a "mãe" de todas as reformas a política.

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Com suas declarações, Alckmin enviou, no momento em que o PSDB deixa a Esplanada dos Ministérios, sinais ao PMDB. Para a próxima eleição, Temer busca um candidato de centro, como o Estado adiantou na edição do dia 3 deste mês, capaz de abraçar a defesa de seu legado econômico, como a queda de juros, a redução do desemprego e a aprovação das reformas estruturantes. 

O governador falou mais como pré-candidato à Presidência do que como recém-eleito presidente nacional do PSDB. Ele responsabilizou ainda Lula pela sequência de erros das gestões petistas. "Foram 15 milhões de empregos perdidos, milhares de empresas fechadas, sonhos desfeitos, negócios falidos", afirmou. "As urnas os condenarão pelo desgoverno, pelo desmonte da Petrobrás e pelas obras inacabadas."

Alckmin disse que a ilusão do PT "acabou em pesadelo". "O Brasil vive uma ressaca, descobriu que a ilha da fantasia petista não foi terra prometida", disse. O governador afirmou ainda que o País está "vacinado contra o modelo lulopetista de iludir para reinar". Para o tucano, enfrentar Lula será "um bom tira-teima".

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O tema da segurança pública - uma bandeira de Jair Bolsonaro (PSC-RJ), segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto, atrás de Lula - também foi destaque na fala de Alckmin. Atento ao eleitorado do deputado oriundo do Exército e de extrema-direita, ele destacou sua gestão em São Paulo para contrapor seu discurso. "Nós nunca nos furtamos a fornecer soluções. É o caso do descalabro da criminalidade. Propusemos a criação de uma agenda nacional para combater o crime organizado, principalmente o tráfico de drogas e de armas."

Urna x cadeia. Escolhido para anteceder a fala de Alckmin, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também se posicionou sobre Lula. Disse que já o venceu por duas vezes, em 1994 e 1998, e afirmou que o PSDB pode derrotá-lo novamente. "Prefiro combatê-lo na urna do que vê-lo na cadeia", disse. O petista é alvo de nove processos e já foi condenado no caso do triplex do Guarujá a 9 anos e 6 meses de prisão pelo juiz federal Sérgio Moro.

Coube ainda a FHC fazer o "discurso para dentro". Foi ele, e não Alckmin, que admitiu erros de seu partido. "Sei que muita coisa foi errada, mas temos forças suficientes para reconstruir o PSDB", afirmou. Condição que, segundo ele, requer estratégia, contato com o povo e humildade - para o ex-presidente, características presentes no novo presidente da sigla. "Alckmin é simples, nunca mudou. Precisamos de gente assim."

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Em um breve discurso, o prefeito de São Paulo, João Doria, pregou a unidade do partido e declarou apoio entusiasmado a Alckmin na disputa pelo Planalto - padrinho e afilhado disputaram veladamente a indicação para o Planalto em 2018. "Quero dar o meu apoio incondicional a Alckmin para a presidência do PSDB e do Brasil", afirmou. "Peço a todos que aplaudam o futuro presidente do Brasil, Geraldo Alckmin."

A convenção. Com 470 votos, o PSDB elegeu a chapa Unidade para o Diretório Nacional. Foram registrados três votos contrários e uma abstenção. A chapa tem como primeiro-vice-presidente o governador de Goiás, Marconi Perillo, que assim como o senador Tasso Jereissati (CE), retirou sua candidatura a presidente da legenda para unificar o partido. O segundo-vice-presidente é o líder do PSDB na Câmara, Ricardo Tripoli (SP).

Também são vice-presidentes os senadores Paulo Bauer (SC) e Flexa Ribeiro (PA), o governador do Paraná, Beto Richa, os deputados federais Shéridan Oliveira (RR) e Carlos Sampaio (SP), e o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira. O secretário-geral será o deputado Marcus Pestana (MG). 

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A Executiva Nacional será composta pelos senadores Eduardo Amorim (SE) e Cássio Cunha Lima (PB); os prefeitos de São Paulo, João Doria, de Porto Alegre, Nelson Marchezan, de Teresina, Firmino Filho, e de Manaus, Arthur Virgílio; os deputados federais Giuseppe Vecci (GO), Rogério Marinho (RN) e Bruno Araújo (PE); e o governador Pedro Taques (MT). Também farão parte da Executiva os líderes do PSDB no Senado, Paulo Bauer (SC), e na Câmara, Ricardo Tripoli (SP). 

Seis partidos participaram da convenção: PSD, PSC, PR, PSB, PTB e PPS. 

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