PSDB E PT buscam alianças com PSB de olho em 2010

De olho em sua sucessão, Lula trabalhou na direção de fortalecer o PSB, sua segunda opção para o Planalto

Cida Fontes, de O Estado de S.Paulo

04 de julho de 2008 | 18h14

Na montagem das alianças para as eleições municipais, o PSDB e o PT, que fazem oposição no plano nacional, adotaram a mesma posição similar: garantir o maior número de palanques para a disputa de 2010. É justamente por conta dessa estratégia que aconteceram muitas brigas fora e dentro dos partidos, envolvendo até a interferência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mais que o PMDB, maior partido do País, o objeto de desejo do PSDB e do PT foi o PSB. De olho em sua própria sucessão, Lula trabalhou na direção de fortalecer o PSB do governador Eduardo Campos (PE), sua segunda opção para o Planalto, caso o PT não apóie integralmente a candidata de sua preferência, a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil. Em conversa com interlocutores, Lula tem elogiado Eduardo Campos e o cita como segunda opção para sua sucessão, o que exclui o deputado Ciro Gomes, também do PSB. As avaliações na área política indicam que o sucessor de Lula deverá ser escolhido fora da esfera paulista, o que tiraria do páreo o governador de São Paulo, José Serra. Quanto ao governador de Minas, Aécio Neves, Lula ainda não o considera um candidato potencial à sucessão presidencial. Para a prefeitura de São Paulo, o presidente agiu rápido e conseguiu a proeza de unir o deputado Aldo Rebelo (PC do B), que tem problemas com o PT, à petista Marta Suplicy. A pedido de Lula, o governador Eduardo Campos decidiu apoiar o candidato do PT, João da Costa, para a prefeitura de Recife. Mas, segundo políticos do PSB, Eduardo Campos não tem interesse em fortalecer o PT e, discretamente, poderá ajudar o deputado Carlos Eduardo Cadoca (PSC). João da Costa é aliado de João Paulo, o atual prefeito de Recife, que tem pretensões de chegar ao governo estadual em 2011. Ou seja, não interessa ao governador reforçar a popularidade de seu provável rival caso não se candidate ao Planalto. O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), disse que ainda é prematuro falar agora da sucessão estadual de Pernambuco. Ele admite inclusive a possibilidade de João Paulo desistir do governo para concorrer ao Senado numa composição com o PSB. Já o PSDB isolou o DEM e se coligou em Pernambuco com o PMDB de Jarbas Vasconcelos, que lançou o nome do deputado Raul Henry. Com a ajuda ou não do presidente Lula, o PSB está aliado ao PT em 12 capitais. E está aliado ao PC do B no Rio de Janeiro, em apoio à candidatura de Jandira Feghali. Com o PSDB, o partido de Eduardo Campos está coligado em cinco capitais, incluindo Curitiba. Mas, para irritação da cúpula nacional do PSDB, o partido ficou sem palanque para 2010 em Aracaju. Isso porque o deputado Albano Franco (PSDB-SE) resolveu apoiar a reeleição do prefeito Edvaldo Nogueira, do PC do B, que tem como vice o petista Silvio Santos. Ou seja, fortalece o esquema do governador petista Marcelo Deda, onde os tucanos não têm força política. Em Belo Horizonte, uma capital estrategicamente importante, o PSDB ficou também em uma situação delicada. PSDB e o PT estão informalmente juntos na eleição para a prefeitura, e provavelmente não devem ter o mesmo palanque em 2010. A pedido de Aécio Neves, o presidente Lula fez um compromisso público de apoio a Marcio Lacerda, do PSB, candidato do governador tucano e do prefeito petista Fernando Pimentel. Os tucanos não admitem apoiar Pimentel para o governo em 2010 e o governador mineiro, segundo avaliação de dirigentes do PSDB, ainda não tem um nome forte para sua sucessão. A negociação em BH não agradou ao comando do PSDB que ainda não conseguiu decifrar a jogada de Aécio Neves, que aceitou dar apoio informal à chapa PSB/PT. Tampouco agradou a direção nacional do PT que não digeriu o acordo feito por Pimentel que, segundo deputados mineiros, vai ter de suar a camisa para a disputa estadual de 2010. Já os tucanos mineiros argumentam que a eventual eleição de Márcio Lacerda significa enfraquecer o poder do PT na capital mineira. Ao contrário do PSDB, que entrou na disputa com o deputado estadual Nelson Marchezan Junior, o PT tem chances de recuperar a prefeitura de Porto Alegre, atualmente com o PMDB, com a candidatura da deputada Maria do Rosário. Segundo parlamentares do PSDB, o próprio Lula teria apontado a digital do ministro Tarso Genro, da Justiça, na conspiração, e teria atuado para impedir a radicalização da oposição que chegou a propor o impeachment da governadora. Mas o fato é que as denúncias sepultaram uma aliança do PSDB com o DEM que, por sua vez, fez dobradinha com o PP. O quadro eleitoral está fragmentado. O PT está em campo oposto ao PMDB também em Porto Alegre, além do Rio de Janeiro e São Paulo, embora estejam aliados em nove capitais.

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