PSDB e DEM recomendam voto em favor da cassação

Oposição já contabiliza algumas traições e pressiona maioria a manter decisão tomada no Conselho de Ética

Christiane Samarco, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2012 | 00h00

O PSDB e o DEM, que são as duas maiores bancadas de oposição no Senado, somando 30 votos, decidiram ontem que seus representantes devem votar unidos pela cassação do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). A direção do DEM optou por fazer uma recomendação aos 16 senadores presentes à reunião de ontem para que sigam o voto do próprio partido no Conselho de Ética e condenem o presidente do Senado. Os tucanos preferiram reunir não só a bancada como a Executiva Nacional da sigla e fecharam questão para punir Renan, embora o voto seja secreto.Os dois votos computados como "duvidosos" pelo próprio PSDB, no entanto, não participaram da reunião da bancada em que se acertou a posição conjunta. Enquanto os tucanos almoçavam com o presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), o senador Flexa Ribeiro (PA) discursava no plenário sobre o Círio de Nazaré, após colocar a imagem de Nossa Senhora diante de Renan, que presidia a sessão.Ao mesmo tempo, o também tucano Papaléo Paes (AP) circulava em torno da Mesa Diretora. Ainda assim, a reunião da executiva com os parlamentares, logo em seguida ao almoço, decidiu que apenas 1 dos 13 senadores tucanos - João Tenório, que é amigo e aliado de Renan e suplente do governador de Alagoas, Teotônio Vilela (PSDB) - ficaria liberado para votar como bem entender."É evidente que o Renan ainda fará sua defesa no plenário e pode acontecer algo extraordinário, mas, à luz dos acontecimentos de hoje, temos a convicção de que ele não tem condições de continuar presidindo o Senado", justificou Tasso."O partido não recuou e não deu para trás em nenhum instante deste processo, agora chega à ousadia de fechar questão em uma votação secreta, o que revela muita confiança do PSDB em si mesmo", declarou o líder tucano no Senado, Arthur Virgílio (AM). Segundo ele, a idéia é garantir 12 votos em favor do relatório de Marisa Serrano (PSDB-MS) e Renato Casagrande (PSB-ES), que condena Renan e já foi aprovado pelo Conselho de Ética. "O PSDB não está feliz com o que fará (cassar Renan), mas o fará com a certeza de que é preciso extirpar um tumor", insistiu Virgílio."Nós avaliamos que o fechamento de questão é uma posição política, mas pouco pragmática. Por isso optamos pela recomendação partidária à bancada", explicou o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN). "Não trouxemos para o fechamento de questão porque, sendo o voto secreto, não há como encaminhar nenhum tipo de punição a um dissidente", completou o presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), que nem sequer participou da reunião dos senadores ontem.Dos 17 senadores do DEM, apenas Edison Lobão (MA), que é apontado como voto certo em favor de Renan, não estava presente. Ele acompanhou José Sarney (PMDB-AP) e a líder do governo no Congresso, Roseana Sarney (PMDB-MA), em viagem a São Luiz para um jantar com toda a direção de uma grande empresa do setor siderúrgico, a Alcoa. No início da noite, o trio de senadores aguardava a chegada do ministro das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia, à capital maranhense.Para voltar a Brasília em tempo de participar de toda a sessão de julgamento de Renan, prevista para as 11 horas, Lobão, Renan e Roseana planejavam pegar uma carona no avião da Força Aérea em que o ministro deveria embarcar por volta das 4h30 da manhã de hoje.Ontem, integrantes do PSOL - autor de três das quatro representações contra o presidente do Senado - fizeram manifestação em frente ao Congresso, pedindo "fora Renan". O partido tem apenas um representante no Senado, José Nery (PA).

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