PSDB e DEM querem impedir mudança em regras eleitorais

Precavendo-se da possibilidade daaprovação de um terceiro mandato para o presidente Luiz InácioLula da Silva, a oposição decidiu em reunião de cúpula nestasegunda-feira não votar no Congresso nenhuma alteração deregras eleitorais, consideradas casuísticas pelo PSDB e peloDEM. "A reeleição foi aprovada, estamos testando a reeleição enão há nenhum motivo para que esses casuísmos que estãoaparecendo, nas palavras de alguns petistas ou de aliados doPT, sejam transformados em realidade no Congresso Nacional",disse a jornalistas o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia(RJ), após o encontro de cerca de duas horas realizado em umhotel de São Paulo. "Reeleição, não reeleição, qualquer mudança nesta área nãovamos votar," disse o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra(PE). O deputado Devanir Ribeiro (PT-SP), defensor do terceiromandato, está coletando assinaturas para apresentar uma emendaconstitucional que acaba com o mecanismo da reeleição e prevêao mesmo tempo um mandato de cinco anos para o presidente daRepública. Por se tratar de uma mudança na Constituição em meio àsregras atuais, a medida embutiria uma brecha jurídica para queo presidente Lula voltasse a concorrer em 2010, quando terminasua atual gestão. Questionado sobre a aprovação do instrumento da reeleiçãoem 1997, que beneficiou o ex-presidente Fernando HenriqueCardoso (PSDB), Maia disse que são "questões distintas." "Na reeleição, há um mandato de oito anos com um recall dequatro anos, ela tem um sentido e acompanha alguns sistemaseleitorais no mundo. O terceiro mandato não tem sentido. Quandoabre para o terceiro mandato, caminha-se para ter quantosmandatos a sociedade quiser," afirmou. Mesmo que a medida caminhe na Câmara, onde o governo temmaioria, o deputado acredita que ela não passa no Senado. O encontro dos dois partidos, que além de Maia e Guerra,reuniu Fernando Henrique e os líderes das siglas na Câmara e noSenado, foi agendado em um momento de alta popularidade dopresidente Lula, cujo governo recebeu avaliação positivarecorde da população, de acordo com pesquisas de opinião. Tucanos e democratas procuraram acertar o discurso e traçaruma linha de conduta para enfrentar a maioria do governo doCongresso. Sem detalhar as medidas, o presidente do PSDB disseque os dois partidos não vão ficar "a reboque das iniciativasparlamentares do Executivo" e devem buscar ações também fora doâmbito do Congresso. Afirmou ainda que as siglas vão continuarlançando mão das denúncias contra o governo. "Enquanto houver o que denunciar --e há muito o quedenunciar-- vamos continuar nas denúncias. E o governo vaicontinuar impedindo a apuração, como faz todo dia da forma maisescandalosa possível", acusou Guerra. A reunião discutiu também as eleições municipais, em que há"áreas de dificuldades reais", disse Guerra. Na disputa na capital paulista, os dois partidos saíram doencontro sem uma consenso. Enquanto Guerra permanece com acrença em duas candidaturas separadas --a do ex-governadorGeraldo Alckmin (PSDB) e a do prefeito Gilberto Kassab (DEM)--,o Democratas ainda acredita em uma candidatura única das duaslegendas aliadas em torno de Kassab. Para Maia, "é legítimo que Kassab queira disputar",enquanto o líder do partido na Câmara, deputado Antonio CarlosMagalhães Neto (BA), afirmou esperar que Kassab não desista dacandidatura. Maia alertou que "nosso adversário maior é o PT e seusaliados, não podemos nos esquecer disso", enquanto Guerra disseainda que mesmo com candidaturas separadas "o pacto denão-agressão existe em São Paulo e em todo lugar". (Reportagem de Carmen Munari)

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