PSDB e DEM festejam DataFolha; PT fala em 'bússola desregrada'

Deputado do PPS Raul Jungmann confessou 'segunda surpresa' depois de ver resultados da pesquisa

Agência Estado

17 de abril de 2010 | 19h42

PT fala em "bússola desregulada" do Datafolha, os tucanos e democratas festejam, mas um aliado - do PPS - considera os resultados da pesquisa "uma segunda surpresa". Em síntese, essas foram as três reações básicas à divulgação da nova pesquisa Datafolha.

 

A avaliação da "surpresa" é do deputado Raul Jungmann (PPS-PE). Para o deputado, a "primeira surpresa" aconteceu na pesquisa Datafolha feita nos dias 25 e 26 de março, quando o tucano José Serra, com 36% das intenções de voto, abriu 9 pontos de diferença em relação à petista Dilma Rousseff - 27% das intenções de voto. O levantamento anterior, de 24 e 25 de fevereiro, havia registrado 32% para Serra e 28% para Dilma.

 

A pesquisa em que Serra abriu 9 pontes foi feita uma semana depois de o ainda governador de São Paulo ter admitido, em entrevista à TV Bandeirantes, que seria mesmo candidato ao Planalto. "O que eu considero surpreendente é o fato de ele ter subido 9 pontos, na pesquisa anterior, só com essa declaração. Agora, pela nova pesquisa, o Serra não cresceu nada, oscilou apenas para cima, mas dentro da margem de erro, mesmo depois de ter deixado o governo, de ter lançado a candidatura em Brasília, de ter dado várias entrevistas e feito várias viagens. Então, para mim, foi surpreendente a subida anterior e foi mais surpreendente agora por ter apenas oscilado", disse Jungmann ao Estado.

 

O líder do PSDB na Câmara, deputado João Almeida (BA), classificou como "normal" a pequena oscilação nas intenções de voto dos pré-candidatos à presidência da República revelada na pesquisa Datafolha. "O eleitor ainda não entrou na campanha", disse.

 

Ainda assim, Almeida afirmou que o levantamento confirma a liderança do ex-governador José Serra na corrida presidencial. "A oficialização da candidatura colocou todos em igualdade de condições. Daqui para frente os movimentos serão pequenos", disse o deputado, que aposta num avanço gradual das intenções de voto no pré-candidato tucano.

 

Para o líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), Serra tem condições de ampliar a vantagem sobre a candidata do Palácio do Planalto, a ex-ministra Dilma Rousseff. "O governador (Serra), com o tempo disponível de candidato e as visitas que vai fazer, terá espaço para crescer", afirmou o senador ao comentar o resultado da mais recente pesquisa feita pelo Datafolha.

 

Na avaliação de Agripino, a ex-ministra Dilma "chegou ao limite dela como candidata ancorada à máquina do governo".

 

"Bússola desregulada". Apesar da diferença de dez pontos porcentuais, o deputado Henrique Fontana (PT-SC), ex-líder do governo na Câmara, disse que o resultado da pesquisa não altera o rumo da campanha petista. "Temos um sinal claro que a maioria quer a continuidade", disse.

 

Fontana criticou, entretanto, a diferença entre o resultado do Datafolha e o apurado por outros institutos. "Está acontecendo um problema grande com os institutos de pesquisa. Um dá empate e outro dá dez pontos de diferença, em períodos semelhantes de consulta?", questionou o deputado, referindo-se à pesquisa Sensus divulgada na terça-feira passada e que apontava empate entre Serra (33% das intenções de voto) e Dilma (32%). "Torço para que o Datafolha esteja com a bússola desregulada".

 

A pesquisa Sensus do empate foi divulgada pela Força Sindical, entidade que apoia a candidatura de Dilma. O levantamento, segundo o registro do TSE, seria pago pelo Sindicato dos Empregados nas Empresas Concessionárias de Rodovias (Sindicrep). Mas a entidade negou ter conhecimento do caso. Segundo o Sensus, houve um erro no registro da pesquisa no TSE, já corrigido, e o verdadeiro contratante seria o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada (Sintrapav).

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