PSDB e DEM criticam ''ameaça''

Agripino, Heráclito e Guerra reclamam de Carvalho

Ana Paula Scinocca, O Estadao de S.Paulo

01 de abril de 2008 | 00h00

A oposição interpretou como ameaças as declarações do chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, e voltou a cobrar investigações sobre os gastos com cartões corporativos e contas tipo B. Em entrevista ao Estado, Carvalho disse que o envio de documentos sobre as despesas do Palácio do Planalto com o dinheiro de plástico poderiam complicar outros ministros, além da ex-titular de Igualdade Racial, Matilde Ribeiro."Está na hora de preto no branco. As declarações do Gilberto Carvalho só deixam claro que ele tem conhecimento dos fatos e, na condição de uma autoridade de Estado, tem a obrigação de revelá-los", cobrou o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN). "É mais uma razão para irmos às investigações, deixando para trás o suspense."Outro integrante do DEM, o senador Heráclito Fortes (PI), foi na mesma linha e avaliou as declarações de Carvalho como "mais uma ameaça descabida". "O cargo que ele ocupa exige que ele tenha um pouco mais de cautela", declarou ele. "Se o Gilberto Carvalho faz esse tipo de afirmação, é só mais uma prova de que foi de fato feito um dossiê e há uma conspiração contra o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB)", disse o senador. A presidente da CPI dos Cartões, a senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), disse não ter visto clareza nas declarações do chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Não entendi direito o que o senhor Gilberto Carvalho quis dizer, nem em relação aos dados que podem complicar os ministros nem em relação a um acordo no Congresso mencionado por ele. Acho que deveria ser mais claro." Indagada se considerava necessário levar Carvalho à CPI para esclarecer o que disse ao Estado, Marisa recuou: "Não acredito que ele precisaria vir até aqui."O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), apoiou as declarações dos colegas de oposição e disse que é preciso dar um basta nas entrevistas e avançar no sentido de apurar irregularidades. "Para vencermos as suposições só tem um jeito, que é fazer investigação", anotou.

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