PSDB e DEM chamam ministra de 'irresponsável'

Integrantes do PSDB e do Democratas classificaram nesta segunda-feira de "leviana" e "irresponsável" a declaração da ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, que creditou à oposição os boatos que circularam no final de semana sobre o fim do programa Bolsa Família. Em seu perfil no Twitter, a ministra escreveu na manhã desta segunda-feira que as informações deveriam ser "da central de notícias da oposição".

RICARDO BRITO E DÉBORA ÁLVARES, Agência Estado

20 de maio de 2013 | 19h29

"É uma postura imatura de quem tem a ambição de representar o governo. Foi irresponsável tentar atribuir à oposição este factoide que, segundo anúncio do ministro da Justiça (José Eduardo Cardozo), será investigado pelo governo", afirmou o vice-líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR).

O tucano disse que a ministra agiu de forma "irresponsável" ao se antecipar à decisão do próprio ministro da Justiça que determinou a abertura de inquérito para apurar o caso. Para ele, a fala dela tem por trás um "objetivo eleitoral", ao tentar fustigar a oposição com essa suspeita.

O líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (SP), acusou o PT de ter "know-how" de fabricar boatos. "Que central de boatos é essa? E que autoridade tem a ministra, membro do PT, de ser fabricante de boatos", disse Ferreira, em discurso na tribuna do Senado. O tucano lembrou o escândalo dos aloprados, no qual, nas eleições de 2006, integrantes do PT foram presos acusados de comprar um dossiê fajuto que tentava ligar o ex-governador José Serra (PSDB) à máfia dos sanguessugas.

O líder do PSDB disse que uma ministra de Estado, pelo cargo que ocupa, tem obrigação moral e ética de ter circunspecção com as palavras. "Não se recomenda ninguém a falar demais. Quem fala demais, dá bom dia a cavalo", criticou ele, que se disse perplexo e profundamente indignado. Ele declarou que, embora ela tenha dito que não queria politizar a questão, já politizou.

"Isso é próprio de quem considera que a oposição não é parte do jogo democrático", afirmou o líder do PSDB. "Não terá sido um ato do próprio governo para se vitimizar?", questionou em plenário o presidente do Democratas, senador Agripino Maia (RN).

Em nota, o presidente do PPS, deputado Roberto Freire (SP), também classificou de "irresponsável" a declaração da ministra. "Quem manipula informações sobre o programa são os governistas que, em épocas de eleição, afirmam que, caso a oposição seja eleita, vai pôr fim a ele", disse Freire.

"A oposição brasileira é muito responsável e não faz esse tipo de coisa; já a ministra é de uma irresponsabilidade que não tem tamanho, para falar em nome do governo e dizer essas aleivosias", declarou Freire, ao rechaçar as acusações.

Também em nota, o líder do PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno (PR), disse que Maria do Rosário segue a cartilha da mentira e dos dossiês falsos do PT. "Depois de Lula, agora a presidente Dilma também tem sua aloprada de estimação", ironizou.

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