PSDB e DEM articulam outra comissão

Sem perspectivas na CPI mista, oposição quer investigação só no Senado

Eugênia Lopes e Luciana Nunes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

04 de abril de 2008 | 00h00

Após mais uma derrota fragorosa na CPI dos Cartões - em uma sessão com 10 votações e 30 requerimentos, só 1 foi aprovado - e embalada pela convocação da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, a oposição tentou enterrar ontem a comissão e apostar todas as fichas em uma CPI exclusiva do Senado. O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), advertiu os governistas sobre a nova CPI: "Vou ler o requerimento na terça-feira, doa a quem doer, custe o que custar. Se depender de mim, vai funcionar. Não estou aqui para segurar CPI."A estratégia da oposição foi uma resposta ao rolo compressor do governo, que derrubou os requerimentos de convocação de seis ecônomos (responsáveis por gastos com cartões) do Palácio do Planalto e de duas assessoras de Dilma: a secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, e a chefe de gabinete, Maria de La Soledad Bajo Catrillo.A convocação das duas foi rejeitada por 13 votos a 6. Elas são apontadas como ordenadoras da confecção do dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e família.Apenas um requerimento foi aprovado na sessão: o convite para Alexandre Correa Abreu, diretor do Banco do Brasil Cartões, prestar depoimento. Com a derrota dos demais pedidos, os oposicionistas tentaram deixar claro que a base aliada não quer investigar. Já o deputado Carlos Willian (PTC-MG), da tropa de choque do governo, ponderou que o único requerimento aprovado já mostra que a base quer continuar com a comissão mista.SEM SAÍDAA presidente da CPI, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), havia avisado que, sem a aprovação de convocações e de pedidos de informação sobre gastos sigilosos, os trabalhos seriam encerrados na próxima quinta-feira. Nesse dia terminam os depoimentos de autoridades.Para Marisa, resta apenas marcar uma data para o deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) apresentar seu relatório. "Não há mais razão para ter mais sessões a partir de quinta-feira. O relator vai me dizer qual o prazo que precisa para fazer seu relatório e aí marcamos o dia da votação.""No atual momento, não tenho condições de iniciar o relatório", reagiu Luiz Sérgio. Para manter viva a CPI e não dar voz à oposição, o governo decidiu centrar seus esforços nos documentos dos Ministérios do Planejamento e da Previdência que chegaram ontem à comissão de inquérito.Os governistas esperam que "fatos novos" apareçam na documentação, dando combustível para a comissão seguir adiante. COLABOROU CIDA FONTES

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