'PSDB é a salvação da lavoura', diz Mares guia sobre CPMF

O governo está tão confiante na ajuda dos tucanos para aprovar a Contribuição Provisória sobre Administração Financeira (CPMF), que o ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, não conteve o entusiasmo ontem, durante reunião com os líderes e representantes dos 11 partidos da coalizão que apóia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "O PSDB é a salvação da lavoura", disse Mares Guia, de acordo com relato dos presentes. Em seguida, Mares Guia disse que as negociações com o PSDB avançam muito bem. E anunciou que o presidente Lula, além dele e do ministro da Fazenda, Guido Mantega, devem receber os senadores tucanos hoje, no Palácio do Planalto. Vão tratar das negociações que podem levar à prorrogação da CPMF e do projeto de lei que destina maiores recursos para a saúde tanto por parte da União, quanto dos Estados e dos municípios (a regulamentação da chamada Emenda 29, como é conhecida nos meios políticos). "Estamos abertos aos entendimentos com o PSDB", disse Mares Guia. Cabisbaixos nos últimos dias por causa das dificuldades de aprovação da emenda constitucional que prorroga a CPMF até 2011, os ministros Guido Mantega e Mares Guia conseguiram animar-se ontem, com a perspectiva de ajuda do PSDB ao projeto. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, presente à reunião do conselho político, também estava alegre. Abriu sua fala para dizer que, pelas informações recebidas até aquele momento, estava seguro de que o governo já tem 49 votos para aprovar a CPMF no Senado (número mínimo exigido para a aprovação de uma emenda constitucional). Mantega disse ainda, de acordo com relato dos presentes, que existe a possibilidade de o governo conseguir a adesão de mais três senadores, o que elevaria o número de votantes para 52. "Se isso acontecer, é o céu", afirmou o líder do PR, deputado Luciano Castro (RR), um dos principais defensores da prorrogação da CPMF. "Sem ela, a saúde do País pára", opinou.  Luciano Castro disse que para negociar com o PSDB do Senado o governo oferecerá a desoneração da folha de pagamentos, a isenção da Pis/Cofins para empresas de saneamento estaduais, tanto privadas quanto estatais, maior porcentual da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), o imposto dos combustíveis, e talvez mudanças na Lei Kandir - que desonera do Imposto de Exportação matérias-primas e produtos semi-elaborados. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), também se mostrou muito contente com o provável apoio do PSDB à prorrogação da CPMF. Mas disse que a alíquota deverá ser mantida em 0,38%, como hoje. A diferença é que o governo reduzirá impostos em áreas ligadas diretamente ao crescimento econômico e à produção. "A negociação com o PSDB é muito importante", disse ele. "Queremos saber quais são as suas propostas, o que querem mudar na parte da tributação". Jucá lembrou que a base do governo tem 53 senadores - isso, claro, contabilizados todos, até aqueles que nunca se posicionaram com o Palácio do Planalto, como Mão Santa (PMDB-PI) e Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR). "O ideal é que toda a base vote unida e que consigamos ainda outros votos de senadores da oposição preocupados em não prejudicar o País", afirmou ele.

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