PSDB diz que Dilma 'entregou' o petróleo a estrangeiros

O PSDB rebateu na noite de hoje (21), no horário eleitoral gratuito da TV, ataques do PT de que o candidato José Serra (PSDB) pretende privatizar empresas de controle estatal em um eventual governo federal e acusou a petista Dilma Rousseff de ter entregue a exploração do petróleo brasileiro a 108 empresas, 55 nacionais e 53 estrangeiras. A peça exibida na TV alega que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva privatizou mais áreas de petróleo do que "todos os governos anteriores". "Dilma acusa Serra por algo que ele não fez e não vai fazer. Mas que ela, Dilma, está fazendo há muito tempo", critica a inserção. "Deve ser por isso que a Dilma está acusando o Serra. Não quer que ninguém saiba que quem privatizou e entregou o nosso petróleo aos estrangeiros foi ela."

GUSTAVO URIBE, Agência Estado

25 de outubro de 2010 | 21h59

As críticas do PSDB ao governo federal não se resumiram ao governo do PT na gestão das reservas de petróleo. O candidato José Serra defendeu que o próximo presidente não ande em "más companhias" nem dê "maus exemplos" ou deixe as empresas estatais serem "usadas pelos partidos". O alvo das provocações foi o presidente Lula, que engrossou nos últimos dias as críticas ao tucano. "Hoje o que acontece? Tem um monte de ministérios que só servem mesmo de cabide de emprego da turma deles. E é você que paga o salário da turma deles", criticou.

Serra cobrou ainda pulso mais firme do governo federal no combate à violência e ao tráfico de drogas. "Enquanto o presidente da República não entrar nesse assunto para valer, nós não vamos vencer", afirmou. O tema das drogas tomou a maior parte do tempo da inserção do PSDB. O candidato pregou uma política que enfrente os "inimigos de verdade", ou seja, a entrada de narcóticos pelas fronteiras do País. O tucano voltou a defender a criação de um Ministério da Segurança Pública e a composição de uma guarda federal que enfrente o contrabando de armas e o "perigo das drogas". "Enquanto nós não combatermos o contrabando das drogas, não vai ter jeito", afirmou. "É como enxugar gelo. A bandidagem vai continuar agindo e ameaçando os seus filhos e sua família."

A inserção do PSDB voltou a mostrar o apoio de políticos, religiosos e intelectuais à sua candidatura. Deram o seu depoimento o pastor Silas Malafaia e o poeta Ferreira Gullar.

A propaganda do PT voltou a sugerir que o PSDB pretende privatizar o pré-sal e a Petrobras em uma futura administração federal e adotou novamente a estratégia da comparação entre as gestões das duas legendas à frente do Palácio do Planalto. A tática foi explorada no programa de hoje em relação às iniciativas de petistas e tucanos para as zonas rurais e a agricultura familiar. A candidata do PT alegou que a partir do governo Lula houve uma das "maiores mudanças na zona rural" e que no passado o campo era visto "como um local atrasado". "Hoje, ninguém mais pensa assim. Vamos ampliar o acesso do agricultor ao lazer e retribuir ao produtor rural tudo o que ele tem feito de bom para o Brasil", pregou.

O presidente Lula também endossou a comparação. "O Brasil que ficou para atrás era o País do apagão. O nosso País é o da energia limpa. O Brasil que sabe encarar desafios", afirmou. A peça do PT destacou que, no governo Lula, o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) investiu R$ 16 bilhões, enquanto no governo do PSDB o montante foi de R$ 2,4 bilhões. A propaganda também ressaltou que no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) não havia seguro contra problemas na produção e a instalação de energia elétrica não era gratuita. "Hoje, a agricultura emprega 74% da mão-de-obra rural e ela também trabalha integrada com o agronegócio."

De acordo com a inserção, o governo do presidente Lula tirou quase 5 milhões de pessoas das zonas rurais da linha da pobreza e a renda no campo aumentou 33% na administração do PT. Num eventual governo, a candidata Dilma Rousseff prometeu solucionar as dívidas dos agricultores, incluir 2 milhões de agricultores no Pronaf e 300 mil pequenas cooperativas no Programa Mais Alimentos, além de ampliar para R$ 2 bilhões a verba para compra de alimentos produzidos pelos pequenos agricultores.

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