PSDB diz não ser privatista e ataca 3o mandato em novo programa

O PSDB aprova na quinta e sexta-feiraum novo programa e uma nova direção partidária em encontro dalegenda em Brasília. Rumo à eleição de 2010, o programa defendeo voto distrital, diz que o partido não é "privatista nemestatista" e afirma que vai lutar contra um suposto terceiromandato para o presidente Lula. O texto, que passará pelo crivo de 500 delegados entre oscerca de 1,2 mil convencionais do partido que estarão nocongresso e na convenção, aponta ainda para o maior desafio dopartido: aproximar o PSDB das bases e da população. Na renovação da Executiva, o senador Tasso Jereissati (CE)dará lugar ao também senador Sérgio Guerra (PE). "A recente sucessão de escândalos levou à desmoralização dapolítica no Brasil. Ambições futuras podem vir a golpear ademocracia, como ocorre em países vizinhos onde o continuísmode pseudo-salvadores da pátria desvirtua as regras daverdadeira representação e participação popular. Estaremosatentos para não deixar que isso aconteça", critica o partido,ao mencionar de forma indireta o terceiro mandato. Defendido com ênfase nos últimos anos pelo ex-presidenteFernando Henrique Cardoso (1995-2002), responsável pelacoordenação do texto final do programa, o voto distrital (emque cada distrito elege um representante) é a principalproposta política do partido. São citadas as opções do votodistrital puro e misto (distrital e proporcional). "Qualquer dessas alternativas é preferível ao sistemaproporcional vigente, porque ancora a representação políticanum local determinado. Desse modo, encurta a distância entrerepresentantes e representado. E leva os partidos a seenraizarem por todo o país", diz o texto, que é resultado deonze seminários internos realizados em várias cidades do país. Dilema mal resolvido na campanha presidencial de 2006, emque o candidato tucano Geraldo Alckmin foi apresentado por Lulacomo potencial realizador de privatizações, o PSDB agora afirmaque não é privatista. Prefere se apresentar como um partido"nacionalista e moderno". Justifica, no entanto, as privatizações realizadas por FHC."Sem aporte de capitais e métodos de gestão privados seriaimpossível expandir as indústrias petroquímica, aeronáutica,siderúrgica, a mineração e os serviços de telefonia e energia." E quando faz a trajetória do governo FHC, o Plano Real éapresentado como o ponto alto. "O Plano Real marcou o ponto deinflexão da degringolada econômica e política que ameaçavalevar de roldão a democracia recém-conquistada... Foi precisoenfrentar o ceticismo, o fatalismo, o atraso, os esforçospermanentes dos que buscavam desqualificar aquilo que foi, sim,uma verdadeira revolução: golpear a cultura da inflação." Também menciona a continuidade das diretrizes pelos "nossosadversários" (o PT) que "esqueceram as injúrias e bravatas dopassado e mantiveram em linhas gerais nossas políticas decombate à pobreza e controle da inflação, embora com viéspaternalista nas primeiras e erros típicos de aprendiz defeiticeiro nas segundas." Na proposta, os tucanos não se furtam a uma autocrítica deseu distanciamento da sociedade. "Devemos reconhecer que ainterlocução do PSDB com a sociedade ficou aquém do quepropunham nossos fundadores e do que se mostra necessário", dizo programa. Cita temas que pouco repercutem dentro do partido comogênero, raça, drogas, violência e direitos das minorias,manifestações culturais e sugere apenas uma aproximação pormeio dos diretórios do partido e de discussões pela Internet. O programa não responde à principal crítica a que o partidovem sendo submetido: a centralização de suas decisões. Exemplodessa tendência foi a escolha em 2006 do candidato da legenda àPresidência, demorada e decidida pela cúpula em um restaurantesofisticado de São Paulo. O caso levou o governador de MinasGerais, Aécio Neves a afirmar que o próximo nome deveria serescolhido em um restaurante de bandejão. "A participação das bases vai se dar de forma crescente enão por decreto", disse à Reuters o líder do partido na Câmara,deputado Antonio Carlos Pannunzio (SP), que admite anecessidade de as bases pressionarem, independentemente do"timing" da direção. Eleições primárias para embasar as decisões, já sugeridasinternamente, ainda não foram testadas e não constam doprograma. Como resultado, o partido demonstra falta de unidade,como na discussão com o governo sobre a CPMF. Enquanto osgovernadores José Serra (SP) e Aécio Neves, potenciaiscandidatos à sucessão de Lula, defendem a medida, osparlamentares da legenda têm posição contrária, que acabouvencedora até agora. (Edição de Mair Pena Neto)

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